Janja pede bloqueio de bets e atribui endividamento às apostas online
Em vídeo publicado no Instagram, a primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu a regulamentação das apostas pelo governo federal e responsabilizou administrações anteriores pela autorização do setor no país.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A primeira-dama Janja Lula da Silva usou suas redes sociais na última quarta-feira (10/6) para pedir aos brasileiros que bloqueiem plataformas de apostas online. Em vídeo publicado no Instagram, ela reuniu depoimentos de pessoas afetadas pelo vício em jogos e defendeu as ações do governo Lula no setor de apostas de quota fixa, ao mesmo tempo em que atribuiu aos dois governos anteriores a responsabilidade pela liberação da atividade no país.
No conteúdo, Janja afirmou — sem apresentar comprovação — que "o endividamento das famílias brasileiras bateu recorde em 2026" e que "quase 81% dos lares brasileiros estão endividados, segundo o Banco Central", apontando as apostas online como o principal motivo. Ela também destacou o impacto sobre as mulheres: "São mães, esposas, filhas, que precisam reorganizar as contas do seu lar, lidar com o endividamento e enfrentar os impactos emocionais do vício em apostas na sua família." A primeira-dama ainda criticou influenciadores e plataformas, declarando que "não é aceitável que sonhos, salários e vidas sejam transformados em lucro para quem divulga e para as plataformas que se alimentam da vulnerabilidade e do endividamento das pessoas".
Em defesa do governo federal, Janja elencou medidas adotadas na regulamentação do setor: tributação das operadoras, regras mais rígidas para abertura de novas casas de apostas e a criação de uma plataforma unificada de autoexclusão pelo Ministério da Fazenda, que permite bloquear o CPF do usuário em todos os sites autorizados de uma só vez. Ela também mencionou que quem renegociar dívidas pelo programa Desenrola tem o CPF automaticamente bloqueado para apostas por 12 meses.
Os dados oficiais do próprio Ministério da Fazenda, no entanto, apresentam um quadro diferente do retratado pela primeira-dama. Segundo levantamento do órgão, o mercado regulado de apostas de quota fixa movimentou receita bruta de R$ 36,9 bilhões em 2025. Naquele ano, 25,2 milhões de brasileiros — o equivalente a 12,96% da população — realizaram apostas, com gasto médio mensal de R$ 122 por apostador. Um especialista ouvido pelo BNLData comentou o cenário sem citar nominalmente a primeira-dama: "Não sabemos se é equívoco ou é má-fé, mas é sempre mais fácil colocar a culpa no Tigrinho."
O episódio ocorre em meio ao processo de consolidação do marco regulatório das apostas esportivas no Brasil. A regulamentação, conduzida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, estabeleceu uma série de exigências para que operadoras atuem legalmente no país, incluindo licenciamento, recolhimento de tributos e cumprimento de regras de proteção ao apostador. O debate público sobre os impactos sociais do setor segue acirrado, com visões divergentes entre representantes do governo, especialistas e agentes do mercado.
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