Datafolha: 57% dos brasileiros veem apostas online como vício, aponta novo estudo
Pesquisa realizada em maio mostra crescimento na percepção negativa sobre o setor e queda no uso de crédito e poupança para financiar apostas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Um levantamento do instituto Datafolha, divulgado recentemente, aponta transformações relevantes na forma como a população brasileira percebe o mercado de apostas online. Realizada em maio, a pesquisa indica que 57% dos entrevistados enxergam a prática como um vício, número superior aos 54% registrados em 2024. Ao mesmo tempo, apenas 1% dos respondentes considera as apostas uma fonte viável de renda, e 30% mantêm a convicção de que jogar equivale a perder dinheiro.
Menos crédito e poupança nas apostas
O estudo também captou uma redução expressiva no uso de recursos financeiros para bancar os jogos. O pagamento via cartão de crédito recuou de 15% para 10% — vale destacar que os únicos meios de pagamento autorizados em plataformas licenciadas no Brasil são o Pix e o cartão de débito, o que torna o uso de crédito uma irregularidade. O recurso a empréstimos caiu ainda mais, de 15% para 8%, e o saque de valores guardados na poupança diminuiu de 22% para 19%. Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV) e professor da FGV Eaesp, os dados sugerem um possível efeito de exclusão de apostadores pelo próprio endividamento. "O endividamento pode ter excluído alguns jogadores porque atingiu nível muito alto. É uma possibilidade, o fenômeno precisa ser estudado", afirmou Gonzalez.
Perfil do apostador brasileiro
O retrato típico do apostador no país segue concentrado entre homens jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos, com gasto médio mensal de cerca de R$ 240 nas plataformas. A disparidade de gênero é marcante: 11% dos homens já realizaram ou realizam apostas online, ante apenas 3% das mulheres, segundo o Datafolha. Entre os apostadores ativos, 36% jogam semanalmente — proporção praticamente estável em relação aos 35% do ano anterior —, 20% apostam diariamente, 13% com frequência quinzenal, 19% mensalmente e 11% com periodicidade ainda menor.
O contexto regulatório é parte importante para compreender as mudanças de comportamento observadas. O mercado brasileiro de apostas esportivas passou a operar sob uma estrutura formal a partir de 2025, quando entraram em vigor as regras estabelecidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. As novas exigências incluem licenciamento obrigatório, restrições a meios de pagamento e vedação à participação de pessoas em situação de inadimplência em determinados programas governamentais — medidas que, somadas ao endividamento elevado de parte do público, podem ajudar a explicar a queda no engajamento registrada pelo levantamento.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



