Eleições 2026: candidatos divergem sobre economia e futuro das apostas no Brasil
Em evento organizado por O Globo, Valor Econômico e rádio CBN, assessores dos principais presidenciáveis apresentaram visões distintas sobre ajuste fiscal e regulação do setor de bets.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O mercado de apostas esportivas e os desafios fiscais do país entraram definitivamente na agenda eleitoral de 2026. Um encontro promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico, em parceria com a rádio CBN, reuniu em São Paulo representantes das principais campanhas à Presidência da República — com exceção da equipe de Flávio Bolsonaro (PL) — para debater propostas econômicas e o futuro das bets no Brasil. O evento antecipou o que deve ser um dos temas centrais da disputa: como equilibrar as contas públicas e o que fazer com um setor de iGaming que passou a ser regulamentado formalmente apenas em 2025.
Lula, Cury e Renan Santos: três visões sobre fiscal e apostas
O representante da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dario Durigan, defendeu a política econômica em vigor, argumentando que "o governo não gasta sem limite, porque o arcabouço fiscal é o limite". Durigan também citou o rigor tributário aplicado às plataformas de apostas e lembrou a proibição recente de acesso ao setor por beneficiários de programas sociais. Já Luiz Carlos Hauly, porta-voz de Augusto Cury (Avante), atacou as taxas de juros, que classificou como "as mais altas do planeta", e defendeu uma reestruturação tributária profunda — não cortes graduais. No campo do iGaming, Hauly declarou ser favorável ao banimento total do "jogo do tigrinho" e da publicidade das operadoras. Kim Kataguiri, da equipe de Renan Santos (Missão), apresentou o tom mais urgente em relação ao controle de gastos e propôs que a regulação das apostas siga o mesmo modelo restritivo aplicado ao tabagismo no país.
Zema, Caiado e as propostas mais restritivas ao setor
Carlos da Costa, representando Romeu Zema (Novo), adotou a posição mais radical da noite: defende a proibição absoluta de todas as modalidades de apostas no território nacional. Da Costa também criticou o endividamento crescente da população, afirmando que "a gente precisa socorrer quem se enforcou com a dívida que cresceu como bola de neve por conta das taxas de juros". O porta-voz de Ronaldo Caiado (PSD), o ex-deputado Roberto Brandt, propôs uma emenda de emergência fiscal e vinculou o crescimento econômico ao corte estrutural de despesas. Brandt criticou a "arrogância tecnocrática" por trás da meta de inflação de 3% e, sobre as bets, defendeu a proibição integral de propagandas — mas ponderou que um banimento completo das operações poderia empurrar a indústria de volta à clandestinidade.
Contexto: regulação das bets ainda em consolidação
O debate ocorre em um momento delicado para o setor. A regulamentação formal das apostas esportivas de quota fixa no Brasil entrou em vigor em 2025, sob responsabilidade da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. As operadoras precisam obter licença, cumprir exigências de compliance e seguir restrições como a proibição de oferta a menores de idade e a beneficiários do Bolsa Família — medida citada por Durigan no evento. Com a eleição presidencial se aproximando, as propostas que vão de uma regulação mais rígida ao banimento total sinalizam que o futuro do mercado de iGaming no país dependerá, em grande parte, de quem ocupar o Palácio do Planalto a partir de 2027.
O que está em jogo
- O debate presidencial de 2026 revela divisão profunda entre candidatos: enquanto Lula (PT), Cury (Avante) e Caiado (PSD) defendem restrições parciais às apostas (proibição de publicidade, bloqueio a beneficiários de programas sociais), Zema (Novo) propõe banimento total, e Renan Santos (Missão) sugere regulação equiparada ao tabagismo.
- A aposta desconfortável emerge em Caiado: proibir operações por completo pode jogar a indústria para a clandestinidade, contradizendo o objetivo de arrecadação tributária e combate ao jogo ilegal.
- Nenhum candidato defende expansão das operações legais; o mercado regulado enfrenta pressão electoral para maior restrição, independentemente de quem vencer.
Entenda os termos
- Arcabouço Fiscal
- Conjunto de regras que estabelece limite de crescimento de despesas do governo federal para conter gastos públicos e deficits.
- iGaming
- Modalidade de apostas realizadas pela internet, incluindo plataformas de jogos de cassino, bingo e outros jogos em tempo real online.
- Reforma Tributária
- Mudança no sistema de impostos do país, abrangendo tributação de empresas, consumo e outras fontes de arrecadação.
- Meta de Inflação
- Alvo percentual estabelecido pelo Banco Central para controlar a variação de preços na economia.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



