Datafolha: 7% dos brasileiros apostam online e 57% veem atividade como vício
Pesquisa realizada em maio de 2025 com mais de 2 mil eleitores traça o perfil dos apostadores brasileiros, seus hábitos de consumo e o impacto financeiro das apostas no orçamento familiar.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Datafolha, instituto de pesquisa do Grupo Folha, divulgou um levantamento detalhado sobre o mercado de apostas online no Brasil. O estudo foi conduzido nos dias 20 e 21 de maio de 2025, com 2.004 eleitores com 18 anos ou mais, distribuídos por 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os resultados mostram que 93% dos brasileiros não acessam plataformas de apostas, enquanto 7% afirmaram utilizá-las — proporção idêntica à registrada pelo próprio instituto em novembro de 2024.
Apostas vistas como vício pela maioria
A percepção negativa sobre as apostas cresceu em relação ao levantamento anterior: 57% dos entrevistados classificam a atividade como um vício, alta de três pontos percentuais frente aos 54% registrados em 2024. Essa visão é mais comum entre mulheres (61%), jovens de 18 a 24 anos (64%) e pessoas com maior escolaridade (60%). No outro extremo, apenas 2% enxergam as apostas como fonte de renda ou investimento, e 6% as consideram exclusivamente uma forma de entretenimento.
Impacto financeiro recua, mas ainda é significativo
Entre os entrevistados que apostam atualmente ou já apostaram, 35% afirmaram ter comprometido suas finanças para jogar — queda em relação aos 44% registrados em novembro de 2024. O uso de dinheiro da poupança para apostas também recuou, de 22% para 19%. O percentual de pessoas que deixaram de comprar algum produto para apostar caiu de 19% para 11%, e o uso de cartão de crédito para esse fim passou de 15% para 10%. Outros indicadores seguiram a mesma tendência de redução: empréstimos para apostar caíram de 15% para 8%; deixar de pagar contas, de 13% para 6%; e venda de bens, de 5% para 2%. O Datafolha ressalta, porém, que esses dados se referem a um subgrupo menor de entrevistados, com margem de erro de seis pontos percentuais, o que torna as variações estatisticamente estáveis. Já 6% dos entrevistados do total da amostra afirmaram continuar apostando mesmo com as contas negativadas.
O uso de cartão de crédito, embora em queda, merece atenção no contexto regulatório atual. Desde que o mercado regulado de apostas passou a operar no Brasil — com fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda —, operadores licenciados estão proibidos de aceitar cartões de crédito como meio de pagamento. A persistência desse hábito entre uma parcela dos apostadores pode indicar que parte deles ainda acessa plataformas ilegais, que não estão sujeitas às exigências da legislação brasileira.
Perfil e frequência dos apostadores esportivos
Nas apostas esportivas, 6% dos entrevistados afirmaram praticar a modalidade atualmente. O perfil predominante é masculino (9% dos homens, contra 2% das mulheres) e jovem (11% entre os que têm de 18 a 24 anos, contra 1% entre os com 60 anos ou mais). A frequência diária cresceu: 21% dos apostadores esportivos disseram jogar todos os dias, ante 13% em 2024. A maioria, porém, mantém frequência semanal (36%). O gasto médio mensal nessa modalidade ficou em R$ 241 — valor que oscilou entre R$ 268 em dezembro de 2023 e R$ 216 em novembro de 2024. A maior parcela dos usuários (28%) declarou gastar mais de R$ 100 por mês, seguida por 27% que desembolsam até R$ 30.
Cassinos online: queda nos gastos médios
Nos cassinos online, 4% dos entrevistados afirmaram jogar atualmente, com diferença pequena entre homens (4%) e mulheres (3%). A frequência semanal foi a mais citada, com 30% dos jogadores acessando as plataformas uma vez por semana. A média de gastos mensais nessa categoria recuou de R$ 354 em 2024 para R$ 232 em 2025. A distribuição dos gastos é heterogênea: 29% dos jogadores declararam desembolsar até R$ 30 por mês, enquanto 28% afirmaram gastar entre R$ 101 e R$ 500, e 10% relataram despesas superiores a R$ 500. O Datafolha alerta que, nesse segmento, a margem de erro chega a 12 pontos percentuais em razão do menor número de respondentes, o que torna as variações em relação a 2024 estatisticamente estáveis.
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