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Regulação

Cofundadora da Kalshi quer dialogar com governo brasileiro para reverter bloqueio

Luana Lopes Lara afirma que restrição imposta pelo Ministério da Fazenda decorre de um "gap educacional" sobre o modelo de mercados preditivos, e diz que empresa segue interessada em operar oficialmente no Brasil.

Cofundadora da Kalshi quer dialogar com governo brasileiro para reverter bloqueio

Imagem ilustrativa gerada por IA

A cofundadora da Kalshi, a empresária brasileira Luana Lopes Lara, declarou que pretende engajar as autoridades do Brasil para reverter o bloqueio que atingiu a plataforma no país. Em entrevista concedida durante o Web Summit Rio, ela atribuiu a medida a uma compreensão equivocada sobre o funcionamento dos mercados preditivos. "Vamos trabalhar com o governo para tentar explicar o que a gente faz, porque eu acho que é mais um gap educacional do que qualquer outra coisa. Nos Estados Unidos, a gente começou a trabalhar com governo em 2019. Passamos muitos anos explicando o que a gente faz", disse a executiva.

Por que o Ministério da Fazenda bloqueou a Kalshi

No fim de abril, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda determinou o bloqueio de plataformas de mercados preditivos, entre elas a Kalshi. A avaliação do órgão regulador foi de que essas empresas comercializam prognósticos esportivos sem cumprir as exigências previstas para o mercado regulado de apostas no Brasil — regras que incluem a obtenção de licença operacional e a adoção de mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro. A regulamentação do setor de apostas brasileiras, estruturada a partir da Lei das Bets e implementada de forma mais ampla a partir de 2025, exige que toda operadora obtenha autorização formal antes de atuar no país. Apesar do bloqueio, Lara sinalizou que os planos da empresa para o mercado nacional permanecem ativos. "Os planos continuam. É uma questão de cronograma, priorização e conformidade regulatória. Sendo brasileira, considero primordial trazer a operação para o país."

Kalshi se distingue do modelo tradicional de apostas

Durante a entrevista, a executiva reforçou que a Kalshi opera de forma diferente de uma casa de apostas convencional. Segundo ela, a empresa não lucra com as perdas dos usuários — ao contrário, sua receita vem da cobrança de taxas sobre as transações realizadas entre participantes da plataforma, em um modelo próximo ao de bolsas de valores e mercados futuros. A taxa cobrada gira em torno de 1% por transação. "A Kalshi não ganha dinheiro quando as pessoas perdem. Essa é uma diferença muito grande", afirmou. "Não somos uma casa de apostas. Os usuários não jogam contra a Kalshi. A empresa não lucra quando o cliente perde."

Controles contra manipulação e proteção financeira dos usuários

Questionada sobre riscos de uso de informação privilegiada, Lara afirmou que a plataforma dispõe de mecanismos para identificar e bloquear práticas irregulares. Casos suspeitos são comunicados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e atletas profissionais estão impedidos de negociar contratos vinculados às competições das quais participam. Membros de partidos políticos também enfrentam restrições em determinados mercados eleitorais. "Por sermos regulados, a prática de manipulação ou insider trading constitui crime federal", disse a cofundadora. Sobre a proteção financeira dos usuários — dado que cerca de 70% dos participantes de plataformas preditivas registram perdas —, Lara argumentou que operações de curto prazo em mercados financeiros tradicionais costumam apresentar índices de perda ainda maiores. A empresa limita as perdas ao valor depositado e monitora o comportamento financeiro dos usuários. "Se detectamos perdas recorrentes, exigimos comprovação de capacidade financeira", explicou.

Decisão judicial nos EUA e valorização bilionária

A trajetória recente da Kalshi ganhou impulso significativo após uma vitória judicial obtida nos Estados Unidos em 2024, que autorizou a empresa a oferecer contratos relacionados às eleições presidenciais norte-americanas. O movimento ampliou a visibilidade da plataforma e atraiu novos investidores e participantes do mercado financeiro. "Há uma Kalshi antes e outra depois dessa decisão", resumiu Lara. Atualmente, a empresa está avaliada em aproximadamente US$ 22 bilhões, e Luana Lopes Lara se tornou a mulher mais jovem a atingir um patrimônio pessoal superior a US$ 1 bilhão.

Fonte original
Com informações de iGaming Brazil →

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