Clubes de SP se articulam contra PL que pode restringir publicidade de bets na capital
Reunidos na sede da FPF, representantes de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Juventus da Mooca tentam barrar projeto que proíbe propaganda de casas de apostas em eventos na cidade.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Representantes de cinco clubes paulistas e executivos do setor de apostas esportivas se encontraram na última sexta-feira (11/7) na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) para discutir uma reação conjunta a projetos de lei que limitam a publicidade de bets na cidade de São Paulo. Participaram do encontro dirigentes de Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Juventus da Mooca.
O foco da mobilização é o Projeto de Lei 560 de 2025, de autoria do vereador João Jorge (MDB), que tramita na Câmara Municipal de São Paulo com possibilidade de votação já na semana seguinte à reunião. A proposta veda a veiculação de publicidade de operadoras de apostas em eventos realizados no município, abrangendo placas, faixas e painéis em praças esportivas, entre outros formatos de divulgação. As penalidades previstas para quem descumprir a regra chegam a R$ 50 mil por infração, além da suspensão do direito de realizar eventos por até dois anos. O texto já recebeu pareceres favoráveis das comissões da Casa e, para ser sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), ainda precisa passar por duas votações no plenário.
A preocupação financeira é concreta: os contratos de patrocínio firmados por Corinthians, Palmeiras e São Paulo com empresas de apostas somam aproximadamente R$ 350 milhões por ano, segundo apuração do Globo Esporte. Os clubes avaliam que qualquer restrição imposta por lei municipal afetaria diretamente essas receitas de patrocínio, comprometendo o equilíbrio orçamentário das agremiações. Há ainda um temor adicional relacionado à competitividade: uma proibição restrita ao território do município criaria uma assimetria em relação a clubes sediados em outras cidades e estados, que poderiam seguir exibindo marcas de bets normalmente em seus estádios e eventos.
O movimento ocorre em um momento de consolidação do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil. Desde janeiro de 2025, apenas operadoras licenciadas pelo Ministério da Fazenda — por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) — podem atuar legalmente no país, o que conferiu ao setor maior visibilidade institucional e atraiu investimentos crescentes em patrocínios esportivos. Nesse contexto, restrições locais à publicidade ganham peso ainda maior para os clubes, que passaram a depender de forma significativa dessas parcerias como fonte de receita. A articulação na FPF sinaliza que a disputa em torno do PL 560 deve se intensificar antes de qualquer votação no plenário da Câmara Municipal paulistana.
| Receita combinada estimada | Valor |
|---|---|
| Corinthians, Palmeiras e São Paulo | R$ 350 milhões/ano |
O que está em jogo
- Três dos maiores clubes de SP correm risco de perder R$ 350 mi anuais em receitas se o PL for aprovado, já que o projeto proíbe publicidade de apostas em eventos na capital.
- Uma eventual restrição limitada apenas a São Paulo criaria desvantagem competitiva: os clubes paulistas perderiam receitas enquanto rivais de outros estados mantêm intactos seus contratos com operadoras.
- A votação pode ocorrer já na próxima semana (o PL já tem pareceres favoráveis das comissões), tornando a articulação entre clubes e operadoras uma ação de curto prazo.
Entenda os termos
- Projeto de Lei (PL)
- Proposta de norma em tramitação no órgão legislativo (neste caso, Câmara Municipal de São Paulo) que, se aprovada e sancionada, passa a vigorar como lei.
- Patrocínio
- Contrato em que uma empresa (patrocinadora) financia ou fornece recursos a um evento, entidade ou pessoa em troca de visibilidade, associação de marca ou direitos comerciais.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



