Brasil, 3º maior mercado de iGaming do mundo, exige preparo técnico dos operadores
Com 42,5 milhões de usuários únicos e projeção de R$ 29 bilhões em GGR até 2026, o mercado regulado brasileiro impõe desafios operacionais e tecnológicos que não admitem improviso.
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O Brasil consolidou-se como o terceiro maior mercado consumidor de iGaming do planeta, segundo dados da Comscore. São 42,5 milhões de usuários únicos registrados nas plataformas de apostas, e o tempo de consumo nesses sites cresceu 281% desde 2019. Para 2026, a projeção de Receita Bruta de Jogos (GGR, na sigla em inglês) chega a R$ 29 bilhões — o equivalente a US$ 5,15 bilhões. Esses números evidenciam uma janela de oportunidade expressiva, mas também apontam para a complexidade do ambiente regulatório que passou a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2025.
O que muda com a Lei nº 14.790/2023
A Lei nº 14.790/2023, que entrou em vigor no início de 2025, estabeleceu o marco regulatório das apostas de quota fixa no Brasil, abrangendo tanto eventos esportivos quanto jogos online. O texto determina que apenas operadores devidamente licenciados podem oferecer serviços de apostas no país e impõe uma alíquota de 12% sobre o GGR. Entre as obrigações previstas estão a implementação de sistemas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, a adoção de práticas de jogo responsável, a garantia de segurança e integridade das plataformas e a prestação periódica de contas à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda responsável pela supervisão do setor.
Infraestrutura tecnológica como pré-requisito
Para atender às exigências regulatórias e à alta demanda dos usuários brasileiros, especialistas do setor apontam um conjunto de componentes técnicos considerados indispensáveis. O primeiro deles é uma plataforma de gestão de contas de jogadores (PAM), capaz de centralizar transações financeiras, bônus e promoções com integração aos sistemas da SPA. Além disso, os operadores precisam de integração eficiente com fornecedores de jogos e casas de apostas esportivas, suporte a meios de pagamento locais — com destaque para o Pix —, módulos de conformidade como KYC (verificação de identidade do cliente) e monitoramento de atividades suspeitas, e infraestrutura escalável para suportar picos de tráfego em eventos esportivos de grande porte.
Velocidade e conformidade precisam andar juntas
André Neves, COO da Salsa Technology, ressalta que o ritmo do mercado brasileiro não deixa margem para atrasos. Segundo ele, a entrada no mercado regulado exige que operadores estejam prontos para oferecer serviços de qualidade desde o primeiro dia de operação, combinando conformidade regulatória, excelência técnica e agilidade operacional. Neves destaca ainda a importância de parcerias com fornecedores locais familiarizados com as particularidades do mercado brasileiro, da adaptação da experiência do usuário para o público nacional — incluindo suporte a dispositivos móveis — e da automação de processos como onboarding, verificação de identidade e geração de relatórios para a SPA. O treinamento de equipes com conhecimento das regulações locais e atendimento em português também é apontado como fator crítico para a sustentabilidade das operações no longo prazo.
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