Bets autorizadas movimentaram R$ 220,6 bi em 2025 e geraram R$ 36,9 bi de receita
Dados inéditos do Ministério da Fazenda revelam o tamanho do mercado regulado de apostas no Brasil — e a diferença com estimativas externas expõe a dimensão do setor ilegal.
Imagem ilustrativa gerada por IA
As casas de apostas com autorização federal para operar no Brasil receberam R$ 220,6 bilhões ao longo de 2025. O volume, obtido junto ao Ministério da Fazenda por meio da Lei de Acesso à Informação, inclui não apenas depósitos diretos dos apostadores, mas também valores reapostados durante a jornada dos usuários. Do total movimentado, R$ 36,9 bilhões representaram o saldo negativo dos apostadores — o chamado GGR (Gross Gaming Revenue), ou receita bruta das operadoras. Os R$ 183,7 bilhões restantes foram devolvidos na forma de prêmios pagos e bônus sacáveis. É a primeira vez que a pasta divulga esse dado, ainda em caráter preliminar. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) alertou, em resposta enviada à Folha, que os números podem ser revisados até a conclusão dos procedimentos de conferência e consolidação.
Retenção acima dos limites legais
A receita das operadoras correspondeu a 16,7% do total movimentado — percentual superior à retenção máxima de 15% prevista em lei para jogos online e bem acima da taxa de retorno ao apostador (RTP) de 93% — equivalente a uma retenção de 7% — que o setor costuma anunciar. A diferença, segundo a regulamentação, tem explicação: o limite de 15% vale para jogos online, mas não se aplica às apostas esportivas, modalidade que responde pela maior parte do mercado. Pela regra vigente em 2025, 88% do faturamento das bets ficava com as próprias operadoras, enquanto 12% eram destinados à União e a outras entidades beneficiadas — fatia que sobe para 13% em 2026 e chegará a 15% em 2028. As empresas do setor também recolhem os mesmos tributos federais, estaduais e municipais exigidos de qualquer negócio no país.
Mercado ilegal exposto pela diferença de dados
Os números da Fazenda, coletados pelo Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), ficaram R$ 130 bilhões abaixo da estimativa divulgada em julho pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). Aquele levantamento, baseado em transferências via Pix, apontava que as bets receberam R$ 350,97 bilhões, com saldo negativo de R$ 62,5 bilhões para as famílias brasileiras. A divergência de R$ 25,6 bilhões entre os GGRs estimados pelo Comsefaz e pelo Ministério da Fazenda representa cerca de 41% do total calculado pelo boletim — percentual que coincide com o piso da faixa entre 41% e 51% projetada por um estudo da LCA Consultoria para o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) como a participação de sites clandestinos no mercado total. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), por sua vez, contestou os dados do Comsefaz, argumentando que o estudo agrega transferências para empresas de quatro segmentos distintos — não só apostas —, apresenta inconsistências na linha temporal analisada e ignora fatores macroeconômicos que ampliaram o uso do Pix em diferentes setores da economia.
Outubro foi o mês de maior atividade
Ao longo de 2025, 25 milhões de brasileiros realizaram ao menos uma aposta nas plataformas reguladas. A média mensal foi de 9,25 milhões de apostadores ativos, com pico de 10,82 milhões registrado em outubro — mês em que o Campeonato Brasileiro chegava à fase decisiva e as competições sul-americanas, Sul-Americana e Libertadores, disputavam seus estágios eliminatórios. Outubro também concentrou o maior volume de depósitos do ano, confirmando a forte correlação entre o calendário esportivo e o comportamento dos apostadores no mercado brasileiro.
| Métrica | Valor (R$ bilhões) | Percentual |
|---|---|---|
| Movimentação total recebida pelas bets | 220,6 | 100% |
| Receita das bets (GGR) | 36,9 | 16,7% |
| Prêmios e bônus aos apostadores | 183,7 | 83,3% |
| Apostadores únicos (anual) | 25 milhões | — |
| Apostadores médios por mês | 9,25 milhões | — |
| Pico de apostadores (outubro) | 10,82 milhões | — |
| Mês de maior volume de depósitos | Outubro | — |
O que isso diz sobre o mercado
- O mercado regulado movimentou R$ 220,6 bilhões em 2025, com GGR de R$ 36,9 bilhões (16,7%), acima do limite legal de 15% para jogos online — a diferença ocorre porque apostas esportivas não têm teto retenção.
- A discrepância de R$ 130 bilhões entre dados oficiais da Fazenda e estimativas do Comsefaz, e de R$ 25,6 bilhões ante projeções do IBJR, evidencia que o mercado ilegal captura entre 41% e 51% do total de apostas no país.
- Outubro concentrou o pico de atividade com 10,82 milhões de apostadores simultâneos, impulsionado pela fase final do Brasileirão e mata-mata de competições sul-americanas.
Entenda os termos
- GGR
- Gross Gaming Revenue (receita bruta de jogos) — o saldo negativo para apostadores que se converte em receita para as casas de apostas após o pagamento de prêmios.
- RTP
- Return to Player (retorno ao jogador) — percentual dos valores apostados que a regulação permite às bets reterem nos jogos online; o setor anunciou média de 7%.
- Sigap
- Sistema de Gestão de Apostas — ferramenta do Ministério da Fazenda que monitora em tempo real os depósitos nas contas das bets autorizadas.
- SPA
- Secretaria de Prêmios e Apostas — órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulação e supervisão das apostas de quota fixa no Brasil.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Business Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



