Arrecadação federal com bets quase dobra no 1º semestre de 2026
Tributação sobre a receita bruta das operadoras de apostas saltou de R$ 3,8 bilhões para R$ 7,3 bilhões em um ano, alta de 90,76%, segundo balanço da Receita Federal.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O mercado de apostas esportivas se consolidou como um dos principais destaques do balanço semestral da Receita Federal referente ao primeiro semestre de 2026. A tributação incidente sobre a Receita Bruta de Jogos (Gross Gaming Revenue – GGR) das operadoras praticamente dobrou na comparação com igual período do ano anterior: os recolhimentos avançaram de R$ 3,8 bilhões, registrados nos primeiros seis meses de 2025, para R$ 7,3 bilhões — uma alta de 90,76%. O desempenho das bets foi um dos motores do acréscimo total de R$ 18,1 bilhões nos cofres públicos no intervalo analisado.
O salto expressivo reflete as mudanças legislativas implementadas pelo governo federal sobre o setor de apostas, que passou a operar sob regulamentação formal a partir de 2025, com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda como principal órgão fiscalizador. O novo marco regulatório trouxe consigo uma estrutura tributária mais robusta sobre o GGR das plataformas licenciadas. E o calendário de escalonamento ainda não terminou: a previsão do governo é que a alíquota chegue a 18% a partir de 2028, o que deve ampliar ainda mais a contribuição do setor para as receitas federais.
Outros tributos também contribuíram para o resultado positivo do semestre, embora com crescimentos mais moderados. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) somou R$ 50,3 bilhões, com alta de 30,4%, enquanto os Juros sobre Capital Próprio (JCP) — cuja alíquota subiu de 15% para 17,5% — renderam R$ 13,9 bilhões, crescimento de 26,8%. A Receita Federal, porém, adotou cautela ao comentar esses números. Sobre o IOF, o órgão ponderou que "não é correto concluir que todo o aumento da arrecadação tenha decorrido do aumento de alíquotas, pois outros fatores podem influir no desempenho das receitas", embora reconheça que "uma boa parte do aumento seja devido à elevação das alíquotas". Já em relação ao JCP, a autoridade fiscal alertou que as distribuições feitas pelas empresas possuem "elevada volatilidade", o que dificulta atribuir os ganhos exclusivamente à nova taxação.
O balanço semestral abrangeu ainda os efeitos da Lei 14.754/2023, que passou a tributar lucros de fundos exclusivos e de ativos mantidos no exterior por pessoas físicas. Segundo a Receita Federal, o resultado positivo nessa frente decorre "principalmente, do acréscimo real de 58,73% na arrecadação das quotas da declaração de ajuste anual, na qual se encontram os valores provenientes da atualização de bens e direitos no exterior, conforme disposto na Lei 14.754/23". O conjunto dessas mudanças tributárias, com as bets no centro do debate, sinaliza que o setor de iGaming seguirá sendo peça estratégica nas projeções de receita do governo federal nos próximos anos.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



