74% das transações em bets no Brasil são apostas de até R$ 50, aponta Paag
Levantamento da empresa de inteligência de dados analisou o comportamento dos apostadores no segundo trimestre de 2026 e revela a predominância das microtransações no mercado regulado.
Imagem ilustrativa gerada por IA
As apostas de pequeno valor dominam em quantidade no mercado brasileiro de bets, mas são as de maior ticket que movimentam a maior parte do dinheiro. É o que mostra um levantamento divulgado pela Paag, empresa especializada em inteligência de dados para o setor de apostas, com base nas transações registradas entre abril e junho de 2026 na carteira de clientes da companhia. Segundo o estudo, apostas de até R$ 50 responderam por cerca de 74% de todas as operações realizadas no período, mas representaram apenas 23% do volume financeiro total movimentado nas plataformas.
Dentro dessa faixa, os bilhetes de até R$ 20 foram os mais frequentes, concentrando aproximadamente 45% das transações do trimestre — com impacto financeiro de apenas 8% do total. Já as apostas entre R$ 20 e R$ 50 somaram cerca de 29% das operações e 15% dos valores movimentados. No outro extremo, apostas entre R$ 50 e R$ 1.000 concentraram aproximadamente 57% do volume financeiro, enquanto bilhetes acima de R$ 1.000, embora representem menos de 1% das transações, foram responsáveis por cerca de 20% de todo o dinheiro apostado no período. O dado evidencia a convivência de dois perfis bem distintos: uma ampla base de usuários recorrentes com baixo gasto individual e um grupo reduzido de apostadores de alto valor.
O relatório também mapeou padrões de comportamento ao longo do mês e do dia. A atividade nas plataformas tende a crescer entre os dias 8 e 20, com pico de apostas e de valores movimentados no dia 20, seguido de queda gradual até o final do mês. Quanto ao horário, o período entre 18h e 23h concentrou aproximadamente 39% das apostas do trimestre, coincidindo com a transmissão das principais competições esportivas nacionais e internacionais. No que se refere ao perfil demográfico, usuários entre 25 e 49 anos respondem por cerca de 80% do volume financeiro. São Paulo lidera em número de apostas e em valores, enquanto Sul e Centro-Oeste registram os maiores tickets médios; Norte e Nordeste seguem ampliando sua participação na base de usuários.
Para João Fraga, CEO da Paag, a análise vai além do monitoramento financeiro. Segundo o executivo, os indicadores permitem que operadores identifiquem oportunidades de melhoria operacional, fortaleçam mecanismos de segurança e desenvolvam ações voltadas à proteção dos apostadores. A empresa avalia que a predominância das microtransações indica um comportamento operacional relativamente previsível no mercado brasileiro.
O estudo ganha relevância no contexto da regulamentação do setor, em vigor desde o início de 2025 sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Com a formalização do mercado e a exigência de licenciamento das operadoras, cresce também a demanda por dados que ajudem a compreender o comportamento dos apostadores — tanto para fins estratégicos quanto regulatórios. A Paag defende que esse conjunto de informações pode ser útil não apenas a operadores e fornecedores de tecnologia, mas também aos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo aprimoramento do ambiente regulado no país.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



