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Sportradar analisa apostas na Copa 2026: demanda global "não é monolítica nem linear"

Eduardo Lobato, líder de parcerias corporativas da Sportradar, compartilha as principais lições sobre comportamento dos apostadores, diferenças regionais e tecnologia durante o torneio de 39 dias.

Sportradar analisa apostas na Copa 2026: demanda global "não é monolítica nem linear"

Imagem ilustrativa gerada por IA

A Copa do Mundo FIFA de 2026 funcionou como um laboratório em escala global para operadores de apostas e fornecedores de tecnologia. Em entrevista ao Focus Gaming News, Eduardo Lobato, líder de parcerias com clientes corporativos da Sportradar, traçou um panorama detalhado sobre o comportamento dos apostadores ao longo do torneio — e as conclusões desafiam algumas das premissas mais consolidadas do setor. "A lição mais importante foi que a demanda global por apostas não é monolítica nem linear. Ela é fluida, multicanal e profundamente influenciada pela emoção", afirmou Lobato.

Mercados de jogadores ao vivo ganharam protagonismo inédito

Uma das maiores surpresas do torneio foi a força dos mercados de apostas em jogadores individuais, em tempo real. Segundo Lobato, esta foi a primeira Copa do Mundo em que a infraestrutura tecnológica permitiu coletar e processar dados suficientes para criar esses mercados nessa escala. A final entre Espanha e Argentina ilustrou bem o fenômeno: a Espanha havia sofrido apenas um gol no torneio, enquanto a Argentina marcara 19. Messi acumulou oito gols e quatro assistências, ao passo que Rodri, Aymeric Laporte e Pau Cubarsí lideraram estatísticas de passe — perfis contrastantes que geraram apostas em gols, assistências, ações defensivas e outros mercados específicos. Para o executivo, esse movimento reflete uma mudança estrutural: os torcedores estão cada vez mais seguindo atletas, não apenas equipes, relação alimentada pelas redes sociais.

Brasil exigiu a adaptação mais sofisticada da América Latina

Do ponto de vista geográfico, o Brasil representou o desafio mais complexo da região. Por se tratar da primeira Copa do Mundo disputada sob um marco regulatório de apostas plenamente estabelecido no país — resultado da regulamentação que entrou em vigor em 2025, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda —, as operadoras precisaram ir muito além da integração de métodos de pagamento locais, como o PIX. "Exigiu segmentação precisa do público-alvo, mensagens alinhadas às exigências regulatórias e a capacidade de ativar campanhas por meio de gatilhos contextuais", explicou Lobato. Nos Estados Unidos, o desempenho surpreendeu positivamente: clientes de operadoras relataram que o volume de apostas superou as expectativas, impulsionado pelo avanço da seleção americana à fase eliminatória, o que gerou engajamento patriótico e acelerou o interesse pelo futebol em um mercado historicamente dominado por outras ligas.

Retenção começa na aquisição — e bônus genéricos perderam força

No campo da retenção, Lobato destacou que a segmentação comportamental foi o mecanismo mais eficaz para reduzir o abandono pós-torneio. Ferramentas como o FanID e recomendações baseadas em inteligência artificial permitiram, por exemplo, que um apostador que acompanhava a Inglaterra e Harry Kane recebesse ofertas personalizadas ligadas à Premier League e à Bundesliga logo após a competição. Em contrapartida, bônus de depósito amplos e não segmentados mostraram desempenho abaixo do esperado: "Embora pudessem auxiliar na aquisição de clientes a curto prazo, muitas vezes não conseguiam consolidar a conexão emocional criada durante o torneio", avaliou o executivo. A principal conclusão foi que a estratégia de retenção precisa ser desenhada desde a fase de aquisição, usando dados comportamentais para conectar cada cliente à próxima narrativa esportiva relevante.

Lobato também apontou que cerca de 19% dos fãs interessados em apostas durante a Copa eram estreantes — um dado que reforça o potencial de aquisição de grandes eventos, mas que, segundo ele, impõe responsabilidade sobre a qualidade do processo de integração, a simplicidade dos pagamentos e a comunicação contínua. "O simples cadastro não se traduz automaticamente em valor de longo prazo para o cliente", concluiu. A entrevista integra a série "O Veredito da Copa do Mundo", iniciativa do Focus Gaming News que reúne análises de lideranças do setor e dados de mercado sobre o impacto do torneio no iGaming global.

Fonte original
Com informações de Focus Gaming News Brasil →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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