Bets estampam mais da metade das camisas da Série A e injetam R$ 2,9 bi no setor
Com a estreia da Sportingbet no uniforme do Vasco, 12 dos 20 clubes da elite nacional passaram a exibir marcas de apostas no espaço principal de suas camisas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O futebol brasileiro atingiu um novo patamar na relação com o mercado de apostas. Após a estreia da Sportingbet no uniforme do Vasco da Gama no último sábado (25), 12 dos 20 clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro passaram a exibir marcas de casas de apostas como patrocinador máster de suas camisas — ou seja, mais da metade do pelotão da elite nacional. O número consolida as operadoras como a principal fonte de patrocínio do futebol no país.
Como as marcas se distribuem entre os clubes
A concentração é especialmente visível nos grandes centros. No Rio de Janeiro, além do Vasco com a Sportingbet, o Botafogo exibe a VBet, o Flamengo a Betano e o Fluminense a Superbet. No eixo paulista, o Palmeiras também fechou com a Sportingbet, enquanto Corinthians e São Paulo estampam, respectivamente, a Esportes da Sorte e a Superbet. O movimento se estende por outros estados: Atlético-MG veste a H2Bet, Cruzeiro tem a Betnacional e Vitória exibe a 7K. Clubes recém-promovidos seguiram o mesmo caminho, como Remo, com a VaideBet, e Chapecoense, com a ZeroUm.
O dinheiro das apostas, porém, vai muito além das camisas. A Betano adquiriu os naming rights da Série A, a Superbet batiza a Série B e a Sportingbet tornou-se parceira oficial da Conmebol Libertadores. Somados, esses investimentos injetam mais de R$ 2,9 bilhões no mercado publicitário brasileiro e colocam 15 marcas do segmento entre os 300 maiores anunciantes do país, de acordo com levantamento do Ibope Advertising Intelligence.
Regulação publicitária entra em cena
A forte presença das bets na mídia durante a última Copa do Mundo — com investimentos massivos em canais como CazéTV, Grupo Globo e SBT — chamou a atenção das autoridades. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) abriu investigação para apurar possíveis irregularidades em ações promocionais veiculadas durante as partidas, enquanto o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) avaliou o teor das campanhas. Em resposta à superexposição, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Justiça e a Secretaria de Comunicação da Presidência estabeleceram regras mais rígidas: narradores e comentaristas estão proibidos de incentivar o público a apostar durante transmissões, e toda propaganda do setor passou a ser obrigada a exibir avisos governamentais alertando que a prática pode causar perdas financeiras, gerar dependência e não se configura como forma de investimento.
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