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Regulação

Regulação de apostas no Brasil avança no combate a fraudes e crime organizado

Especialistas, autoridades e representantes do setor debatem no BiS Brasília como o ambiente regulado fortalece a fiscalização financeira e dificulta a atuação de operadores ilegais.

Regulação de apostas no Brasil avança no combate a fraudes e crime organizado

Imagem ilustrativa gerada por IA

A regulamentação do mercado de apostas no Brasil, em vigor desde janeiro de 2025, começa a produzir efeitos que ultrapassam a formalização das operações e a geração de receita tributária. Especialistas, autoridades e representantes da indústria avaliam que o novo marco regulatório tem potencial concreto para ampliar a transparência do setor, reforçar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e dificultar a infiltração de organizações criminosas. O debate ganhou espaço central durante o BiS Brasília (Brazilian iGaming Summit Brasília), realizado nos dias 2 e 3 de junho, que reuniu reguladores, operadores e autoridades públicas para discutir os avanços e desafios do cenário regulatório.

Coaf aponta colaboração entre empresas e fiscalização como chave

Um dos destaques do evento foi a participação do presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, que enfatizou a necessidade de cooperação entre as empresas autorizadas e os órgãos de inteligência financeira. Segundo Saadi, a qualidade e a consistência das informações enviadas pelas operadoras reguladas são determinantes para que o Coaf consiga identificar movimentações suspeitas e conduzir investigações mais eficazes. O dirigente destacou que os sistemas de monitoramento do órgão dependem diretamente da precisão dos dados comunicados pelas empresas obrigadas a reportar operações financeiras. Esses registros podem ser posteriormente compartilhados com a Polícia Federal e o Ministério Público quando há indícios de irregularidades. Esse fluxo de informações representa uma distinção fundamental entre o mercado regulado e as plataformas clandestinas, que operam sem qualquer obrigação de reporte ou fiscalização.

Perfil dos apostadores: classe D lidera, fraudes concentradas na madrugada

Um levantamento conduzido pela Legitimuz, com base em mais de 27 milhões de CPFs únicos e mais de 4,4 bilhões de verificações processadas, revelou dados relevantes sobre quem aposta no Brasil. A classe D é atualmente o maior grupo entre os usuários cadastrados em plataformas autorizadas, respondendo por cerca de 53% da base analisada. A faixa etária de 35 a 44 anos concentra aproximadamente 24% dos usuários. O estudo também identificou padrões de uso ao longo do dia: o maior volume de verificações ocorre entre 18h e 22h, horário que coincide com eventos esportivos ao vivo, enquanto as tentativas de fraude são mais frequentes entre 4h e 8h da madrugada. Outro dado relevante aponta que 51% dos apostadores possuem cadastro em mais de duas plataformas, e 32% utilizam três ou mais operadoras simultaneamente.

Maioria usa plataformas de forma recreativa, aponta estudo

Pesquisa da SafeFy, empresa especializada em monitoramento comportamental, analisou mais de 1 milhão de jogadores e aproximadamente 7 milhões de sessões processadas via Sistema de Gestão de Apostas (Sigap). Os resultados apontam que a maior parte dos brasileiros utiliza as plataformas de maneira recreativa. A mediana dos depósitos mensais ficou em R$ 54, e a perda mediana foi de cerca de R$ 20 por mês. Contudo, o estudo também identificou uma concentração de risco: cerca de 75% das perdas registradas estão associadas aos 5% dos usuários que mais perdem, o que reforça a importância de ferramentas de monitoramento individualizadas. Para especialistas do setor, tecnologias baseadas em inteligência artificial e análise preditiva são fundamentais para identificar sinais de comportamento compulsivo e cumprir as normas de jogo responsável previstas na regulamentação.

Mercado ilegal ainda responde por fatia expressiva das apostas

Apesar dos avanços, o mercado clandestino segue sendo um desafio significativo. Estimativas apresentadas durante o BiS Brasília indicam que entre 30% e 40% das apostas realizadas no país ainda podem estar concentradas em plataformas não autorizadas. Esses operadores não realizam monitoramento de usuários, não comunicam operações suspeitas às autoridades, não adotam políticas de jogo responsável e tampouco recolhem tributos. Desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, podem oferecer legalmente apostas de quota fixa no Brasil. Para autoridades e especialistas, consolidar o ambiente regulado, ampliar a fiscalização e conscientizar os consumidores sobre os riscos das plataformas ilegais serão os principais desafios do setor nos próximos anos.

Fonte original
Com informações de ConexãoBet →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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