Rádio CBN debate legalização de cassinos e bingos no Brasil com argumentos a favor e contra
Advogado e psiquiatra apresentaram visões opostas sobre a liberação dos jogos físicos no país; tema tramita no Senado e no STF.
Publicada em 13 de agosto de 2026, antes da MP 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa em 25/09/2026. O cenário descrito pode ter mudado. Veja o que mudou
Imagem ilustrativa gerada por IA
A legalização de cassinos e bingos no Brasil foi o tema central de um debate veiculado na terça-feira (11) pelo programa "50 Debates para o Brasil", da Rádio CBN. O encontro reuniu especialistas com posições opostas sobre a liberação dos jogos físicos: Wesley Cardia, advogado e ex-presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), e Hermano Tavares, coordenador do Programa Ambulatorial do Jogo (PRO-AMJO) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
Favorável à regulamentação, Cardia sustentou que a proibição vigente não impede o funcionamento dos estabelecimentos — apenas os empurra para a clandestinidade. "A legislação brasileira que proibiu os cassinos é de 1946. Manter simplesmente uma proibição que não consegue impedir o funcionamento desses estabelecimentos significa deixar a atividade nas mãos da criminalidade. A regulação precisa ser firme, mas equilibrada. Se não combatermos o mercado ilegal ao mesmo tempo em que controlamos as empresas autorizadas, deixaremos os jogadores mais vulneráveis justamente nos espaços em que não existe proteção", disse o advogado. Para ele, a regulamentação também impediria, por exemplo, o acesso de menores de idade a espaços ilegais que hoje operam sem qualquer controle.
Do lado contrário, o psiquiatra Hermano Tavares alertou para os riscos de ampliação do acesso de pessoas vulneráveis ao vício em jogos, conhecido como ludopatia ou transtorno do jogo. "Na década de 1990, a expansão dos jogos foi acompanhada por um crescimento de aproximadamente quatro vezes na procura por tratamento. Isso não significa necessariamente que toda a população passará a jogar. Significa que o jogador vulnerável ficará mais exposto e que a demanda por atendimento aumentará rapidamente", afirmou Tavares. O especialista coordena um dos principais programas de atenção ao jogador compulsivo do país, vinculado a um dos maiores hospitais universitários do Brasil.
Dois caminhos no horizonte legislativo
A possibilidade de liberação dos jogos físicos no Brasil tramita simultaneamente em duas frentes. A primeira é o Projeto de Lei 2234/22, que prevê a legalização de cassinos em resorts integrados, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos, e aguarda votação no Plenário do Senado Federal. A segunda é o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 966.177, no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve decidir se a Lei de Contravenções Penais, editada em 1941, permanece compatível com a Constituição Federal de 1988 ou perdeu validade com a nova ordem constitucional instaurada pela Carta Magna. O resultado de qualquer uma dessas vias pode redefinir profundamente o marco legal dos jogos de azar no país.
O debate ganha relevância em um momento em que o Brasil já avança na regulação das apostas esportivas online — as chamadas bets —, com a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda tendo conduzido o processo de licenciamento das operadoras digitais. A discussão sobre cassinos e bingos físicos representa o próximo grande capítulo dessa agenda, com impactos potenciais sobre arrecadação, emprego, turismo e saúde pública.
O que vem a seguir
- A liberação de cassinos e bingos no Brasil permanece em aberto em duas instâncias: votação do PL 2234/22 no Senado e julgamento do RE 966.177 no STF, sem prazo definido.
- O debate evidencia tensão entre dois riscos: a manutenção da proibição deixa a atividade nas mãos da criminalidade sem proteção ao jogador; a liberação pode ampliar o acesso de pessoas vulneráveis à ludopatia e sobrecarregar serviços de saúde mental.
- Qualquer decisão sobre legalização dependerá não apenas de votação legislativa, mas também de interpretação constitucional pelo Supremo sobre a compatibilidade de proibições datadas de 1941 e 1946 com a atual ordem constitucional.
Entenda os termos
- Ludopatia
- Transtorno psicológico caracterizado pelo impulso incontrolável de jogar, causando prejuízos pessoais, financeiros e sociais.
- Recurso Extraordinário (RE)
- Ação judicial apresentada ao Supremo Tribunal Federal para questionar decisão anterior quando se alega violação da Constituição Federal.
- Lei de Contravenções Penais (1941)
- Legislação federal que proíbe certas condutas consideradas infrações penais menores, incluindo a exploração de jogos de azar.
- Projeto de Lei (PL)
- Proposta de lei em tramitação no Congresso Nacional que aguarda votação para aprovação ou rejeição.
A apuração deste fato é de Focus Gaming News Brasil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



