Ministro dos Esportes: brasileiro aposta para mudar de vida e acaba endividado
Paulo Henrique Cordeiro afirma que, ao contrário do que ocorre na Europa e nos EUA, o apostador brasileiro busca transformação socioeconômica — e isso leva ao endividamento.
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O ministro dos Esportes, Paulo Henrique Cordeiro, declarou que o brasileiro recorre às plataformas de apostas com uma motivação distinta da observada em países desenvolvidos: a busca por uma mudança na própria condição socioeconômica. A declaração foi feita em entrevista ao programa Bom dia, ministro, na manhã desta quarta-feira (17). Segundo Cordeiro, essa característica diferencia o apostador nacional dos europeus e norte-americanos, para quem as apostas estão associadas principalmente ao entretenimento e ao lazer.
"O governo do presidente Lula tem uma preocupação muito grande com os transtornos de natureza mental que os jogos de apostas estão causando. E aí, eu posso opinar, mas é que o brasileiro encara o jogo de apostas diferente da Europa e dos Estados Unidos, que via de regra, as apostas são voltadas muito mais para o entretenimento e o lazer, e aqui não. Parece que queremos uma mudança da nossa realidade socioeconômica quando apostamos, e isso gera endividamento", afirmou o ministro. Cordeiro não apresentou dados específicos que comprovem a relação entre as plataformas e o endividamento ou os transtornos mentais citados.
O ministro também mencionou que Dario Durigan, ministro da Fazenda, defende que as apostas recebam tratamento regulatório semelhante ao aplicado ao setor de cigarros — uma abordagem que sugere restrições mais severas à publicidade e ao acesso. Cordeiro reforçou que o governo seguirá "combatendo firmemente" o setor caso se confirme que as plataformas são responsáveis pelo endividamento e pelo adoecimento mental de parcela da população.
O mercado de apostas esportivas no Brasil passou por intensa regulamentação a partir de 2025, com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, como principal órgão fiscalizador. Apenas operadoras devidamente licenciadas podem atuar legalmente no país. No primeiro quadrimestre de 2026, a União arrecadou R$ 4,6 bilhões em tributos sobre as casas de apostas. Em paralelo, mais de 30 mil sites irregulares já foram bloqueados pelo governo federal ao longo de 2026, evidenciando o esforço de combate às plataformas que operam à margem da lei.
A agenda de jogo responsável ganhou destaque na pauta governamental justamente diante do crescimento acelerado do setor. Entidades de saúde e órgãos de defesa do consumidor têm pressionado por medidas mais rígidas de proteção ao apostador, incluindo limites de depósito, restrições a publicidade dirigida a públicos vulneráveis e canais de apoio a pessoas com comportamento compulsivo. A fala do ministro Cordeiro reforça que o debate sobre os impactos sociais das apostas deve permanecer no centro das discussões regulatórias nos próximos meses.
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