Datafolha: brasileiros apostam com mais cautela, mas frequência segue alta em 2026
Nova pesquisa do instituto aponta queda no uso de crédito, poupança e empréstimos para financiar apostas, enquanto a percepção de risco de vício cresceu de 54% para 57%.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Uma pesquisa conduzida pelo Datafolha entre os dias 20 e 21 de maio de 2026 traça um novo retrato do comportamento dos apostadores brasileiros. O levantamento ouviu 1.970 pessoas em 139 municípios do país — incluindo capitais, regiões metropolitanas e cidades do interior —, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os resultados indicam avanço na percepção dos riscos ligados às apostas e recuo no uso de recursos financeiros sensíveis para bancar a atividade, embora a frequência de jogo permaneça praticamente inalterada.
Percepção de vício e visão sobre as apostas
Entre os pontos de maior destaque, a parcela da população que acredita que bets e cassinos online podem causar dependência subiu de 54%, registrados em 2024, para 57% na edição atual. O grupo que enxerga as apostas como uma forma de perda de dinheiro manteve-se estável em 30%, mesmo patamar da pesquisa anterior. Já aqueles que classificam a atividade como diversão caíram de 9% para 6% — variação dentro da margem de erro —, e apenas 1% dos entrevistados considera as apostas uma fonte de renda ou investimento.
Queda expressiva no uso de crédito e empréstimos
O estudo identificou recuos relevantes no uso de recursos financeiros considerados de maior risco para financiar apostas. O percentual de apostadores que utilizaram a poupança para essa finalidade caiu de 22% para 19%. Quem deixou de comprar algum bem ou serviço para apostar passou de 19% para 11%. O uso do cartão de crédito recuou de 15% para 10%, enquanto o recurso a empréstimos caiu de 15% para 8%. Também diminuiu de 13% para 6% a fatia de usuários que deixaram de pagar contas para destinar dinheiro às plataformas. Especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontam que superendividamento e apostas online frequentemente se relacionam, demandando acompanhamento contínuo de órgãos públicos e do setor privado.
Frequência de jogo e perfil dos apostadores
Apesar da maior cautela financeira, o hábito de apostar permanece firme. Entre os jogadores ativos, 36% apostam ao menos uma vez por semana — índice quase idêntico aos 35% de 2024 —, e cerca de 20% participam diariamente de apostas esportivas ou cassinos online. Apostadores quinzenais representam 13% da amostra, mensais somam 19% e os de menor frequência chegam a 11%. O perfil predominante continua sendo masculino: 11% dos homens entrevistados apostam regularmente, contra 3% das mulheres. Por faixa etária, os jovens de 18 a 24 anos lideram com 13%, seguidos pelos de 25 a 34 anos (11%) e de 35 a 44 anos (9%); acima dessa faixa, a participação cai para cerca de 4%. O gasto médio mensal apurado foi de R$ 241 em apostas esportivas online e R$ 232 em cassinos online.
Regulamentação e jogo responsável no centro do debate
O contexto regulatório brasileiro contribui para entender parte dessa mudança de comportamento. Desde que o mercado passou a operar sob regras formais, com licenças concedidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, os operadores autorizados são obrigados a adotar ferramentas de proteção ao consumidor, como autoexclusão, monitoramento comportamental e limites de gastos. Campanhas de conscientização sobre os riscos do jogo excessivo também ganharam força nesse período. Ainda assim, a estabilidade na frequência de apostas sinaliza que reguladores, plataformas e especialistas em saúde financeira têm pela frente o desafio de aprofundar iniciativas de educação financeira e prevenção ao jogo problemático para garantir o desenvolvimento sustentável do setor.
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