Ministro do Esporte alerta para endividamento com apostas, mas estudo aponta outro vilão
Paulo Henrique Cordeiro defendeu regulação rigorosa das bets e comparou o setor ao tabaco; pesquisa da LCA Consultoria, porém, relativiza o peso das apostas no orçamento familiar.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, concedeu entrevista nesta quarta-feira (17) ao programa "Bom dia, ministro" e usou o espaço para tratar do impacto social das apostas esportivas no Brasil. Segundo ele, uma parcela expressiva da população enxerga as plataformas de bets como uma saída para transformar a própria situação financeira — comportamento que, na avaliação do ministro, difere do padrão europeu e norte-americano, onde os jogos costumam ser associados ao lazer. "O governo do presidente Lula tem uma preocupação muito grande com os transtornos de natureza mental que os jogos de apostas estão causando. E aí, eu posso opinar, mas é que o brasileiro encara o jogo de apostas diferente da Europa e dos Estados Unidos, que via de regra, as apostas são voltadas muito mais para o entretenimento e o lazer, e aqui não. Parece que queremos uma mudança da nossa realidade socioeconômica quando apostamos, e isso gera endividamento", afirmou Cordeiro.
O ministro deixou claro que o Executivo federal pretende manter uma postura firme de combate ao setor caso seja comprovado que ele compromete a saúde financeira e psicológica dos cidadãos. A comparação com a indústria do tabaco, já levantada pelo Ministério da Fazenda, indica a disposição do governo de aplicar restrições severas ao mercado. Os números do setor regulado reforçam a relevância do debate: nos primeiros quatro meses de 2026, a arrecadação tributária proveniente das apostas somou R$ 4,6 bilhões, ao mesmo tempo em que mais de 30 mil sites irregulares foram derrubados pelas autoridades.
A fala do ministro, no entanto, contrasta com os dados de um estudo divulgado em abril pela LCA Consultoria. Segundo a pesquisa, as apostas respondem por apenas 0,46% do consumo total das famílias brasileiras, o equivalente a 0,3% do PIB nacional — proporção inferior à fatia gasta com serviços de streaming (0,86%) ou com a compra de celulares e acessórios (1,88%). Para os autores do levantamento, o endividamento das famílias tem raízes mais profundas nas relações com instituições financeiras tradicionais do que nas plataformas de apostas.
A entrevista também abordou temas fora do universo das bets. Cordeiro falou sobre o Projeto de Lei nº 6.133/2025, aprovado recentemente no Senado, que prevê a criação da UFEsporte — universidade federal voltada ao esporte, inspirada no modelo educacional de Kazan, na Rússia. A instituição terá sede em Brasília e a previsão é de cinco campi distribuídos pelo país. Sem um calendário formal estabelecido, o ministro indicou que o início das operações deve ocorrer no começo de 2027. Cordeiro também tratou da Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá o Brasil como sede, e confirmou presença no evento de contagem regressiva marcado para 24 de junho no Museu da Fifa, em Miami. Para ele, o maior legado do torneio será uma transformação cultural: "Uma mudança sobre como encarar o futebol masculino e feminino, com essa concepção de gênero, fazendo com que o futebol mude e traga as mulheres e meninas para a prática esportiva, que já foi até proibida legalmente lá atrás".
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