Hackers exploram sites de Augusto Cury e do PT-BA para promover apostas ilegais
Invasores usaram domínios de alta reputação para aplicar técnica de "SEO parasita" e impulsionar plataformas de cassinos e apostas não autorizadas nos mecanismos de busca.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Os sites do candidato à presidência da República Augusto Cury (Avante) e do PT da Bahia, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram invadidos por hackers que inseriram conteúdos ligados a cassinos e apostas ilegais nas páginas. O caso foi divulgado pela Folha de S.Paulo na sexta-feira, 18, e evidencia uma prática crescente de exploração de domínios de credibilidade para fins ilícitos no ambiente digital.
A técnica do "SEO parasita"
Os invasores se valeram de uma estratégia conhecida no meio digital como SEO parasita — método pelo qual a autoridade e a reputação de domínios legítimos são aproveitadas para tentar elevar o posicionamento de outros endereços nos resultados de ferramentas de busca como o Google. Fernando Amatte, consultor de segurança digital da Oakmont Group, explicou à Folha de S.Paulo que brechas em plataformas de gerenciamento de conteúdo e em seus plugins podem funcionar como porta de entrada para esse tipo de ataque.
No site de Cury, além de referências e links para plataformas de apostas, foram encontrados conteúdos relacionados a páginas de acompanhantes. A Folha identificou ainda um arquivo denominado "llms.txt" que concentrava ao menos 55 URLs com títulos ou descrições associados a apostas e prostituição, redigidos em idiomas como português, russo, alemão e turco — o que indica uma operação coordenada e de alcance internacional. Já no portal do PT da Bahia, textos sobre cassinos e apostas ilegais chegaram a ser exibidos na página inicial e na seção de notícias, com parte do material direcionando visitantes para endereços externos ligados a cassinos. A Folha de S.Paulo entrou em contato com ambas as partes, mas não obteve resposta.
Contexto: mercado regulado e sites ilegais na mira
O episódio ocorre em um momento sensível para o setor de apostas no Brasil. Desde janeiro de 2025, o mercado de apostas esportivas e jogos online passou a operar sob regulamentação formal, com licenças concedidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Operadores não autorizados estão sujeitos a bloqueio e a sanções administrativas. Nesse cenário, sites ilegais têm recorrido a estratégias agressivas de marketing digital — como o SEO parasita — para ganhar visibilidade sem depender de canais convencionais de publicidade, que exigem comprovação de licença. A exploração de domínios com alto índice de confiança, como portais políticos e institucionais, representa um vetor preocupante tanto para a integridade das plataformas invadidas quanto para os usuários que podem ser direcionados a ambientes de apostas sem qualquer supervisão regulatória.
Por que isso importa
- A invasão ilustra um vetor de fraude pouco controlado: apostar-se em reputação de sites governamentais e políticos para contrabandear publicidade de cassinos ilegais, aproveitando a confiança que o público deposita nessas páginas.
- O caso revela falha de segurança em plataformas de gerenciamento de conteúdo e aponta risco compartilhado entre gestores de sites institucionais e a indústria de apostas ilegal.
Entenda os termos
- SEO parasita
- Técnica de invasão em que hackers exploram a autoridade (reputação) de domínios legítimos para publicar conteúdos maliciosos e melhorar o posicionamento de sites terceiros nos resultados de busca.
- Domínio
- Endereço na internet que identifica um site (ex: www.site.com.br). Domínios legítimos têm autoridade acumulada nos mecanismos de busca.
A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



