Fundador da Alea fala sobre jackpot agnóstico, IA e estratégia para o segundo semestre de 2026
Alexandre Tomic detalha o estágio beta da ferramenta de jackpot da agregadora, os planos de expansão para gamificação e os desafios que a inteligência artificial representa para o setor.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Alea, agregadora de jogos com mais de 23 mil títulos em portfólio, segue em fase beta com sua ferramenta de jackpot lançada na ICE, há seis meses. Em entrevista concedida durante o iGB L!VE 2026, o fundador Alexandre Tomic explicou que o período de testes serve principalmente para ajustar o modelo de negócios da plataforma junto a clientes premium de longa data. O lançamento completo está previsto para setembro, quando a empresa também deve divulgar números mais detalhados sobre o desempenho do produto.
Tomic descreveu o funcionamento do sistema: o jogador faz uma aposta paralela de 10 ou 20 centavos além da sua aposta principal — por exemplo, de €1 — e sobre esse valor adicional o operador pode configurar uma margem de casa entre 10% e 30%, da qual a Alea retém uma fatia. No entanto, parte dos clientes pediu flexibilidade para financiar o prêmio acumulado com recursos próprios, tratando a ferramenta como instrumento de marketing em vez de fonte de receita direta. Esse ajuste está no centro da fase beta atual. O principal diferencial técnico destacado pelo executivo é o caráter agnóstico da solução: por ser de terceiros e integrada ao núcleo da agregadora, o jackpot funciona de forma uniforme em todo o portfólio do operador, independentemente do provedor de cada jogo. Além disso, como a Alea retém as transações internamente, o sistema é imune a situações em que um jogador cancela a aposta original após ela já ter sido vinculada ao jackpot — vulnerabilidade presente em outras ferramentas do gênero.
De jackpot à gamificação completa
O executivo adiantou que a ferramenta deve evoluir para uma estrutura mais ampla de gamificação. Entre os formatos mencionados estão torneios com até 100 jogadores, apostas em grupo em uma mesma rodada, competições por equipes de cinco jogadores e até ligas eliminatórias onde outros usuários podem apostar nos times participantes. "O prêmio principal é apenas o começo. Já estamos trabalhando em outras versões de uma ferramenta de gamificação totalmente integrada", afirmou Tomic. A visão da empresa, segundo ele, é a de que sua origem como operadora confere um entendimento prático das necessidades do mercado que diferencia o produto de soluções desenvolvidas exclusivamente por empresas de tecnologia pura.
IA e o futuro do modelo de agregação
Para o restante de 2026, Tomic apontou dois desafios centrais. O primeiro é a inteligência artificial: embora avalie que a IA ainda não seja capaz de criar integrações de API seguras e robustas de forma autônoma, ele reconhece que empresas menores — com apenas 10 funcionários — podem passar a competir com a Alea, que hoje conta com 120 colaboradores, caso adotem a tecnologia de maneira agressiva. A estratégia da empresa não passa por demissões, mas pela adaptação interna ao uso de IA, de forma semelhante à adoção dos computadores em gerações anteriores. O segundo desafio é estrutural: a posição do agregador entre estúdios de jogos e operadores tende a ser questionada quando ambos os lados ganham escala suficiente para negociar diretamente entre si. Tomic estima que, ao atingir uma receita bruta mensal em torno de €5 milhões, um estúdio tende a buscar acordos diretos com as operadoras, dispensando o intermediário. "Precisamos entender isso e ver como podemos continuar relevantes na relação entre esses estúdios e essas operadoras, sem prendê-los a uma relação conosco na qual seríamos os únicos interessados em permanecer", disse o fundador.
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