Executivo da Stellar Gaming aponta impactos econômicos da proibição das apostas no Brasil
Em artigo de opinião, Fellipe Fraga, diretor de Negócios e Relações Institucionais da Stellar Gaming, analisa as consequências da MP 1.394/2026 sobre empregos, patrocínios esportivos e o mercado clandestino.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Fellipe Fraga, Diretor de Negócios e Relações Institucionais da Stellar Gaming, publicou um artigo de opinião intitulado "O preço invisível de proibir as apostas", no qual avalia os efeitos econômicos e sociais da Medida Provisória que, em 25 de setembro de 2026, encerrou o mercado regulado de apostas esportivas e jogos de cassino online no Brasil. Para o executivo, as consequências da medida vão muito além das relações diretas entre operadoras e consumidores, alcançando uma extensa cadeia produtiva que havia se estruturado em torno do setor.
Fraga lembra que empresas do setor investiram valores expressivos para atender às exigências regulatórias, incluindo o pagamento de R$ 30 milhões por autorização de funcionamento, com licenças previstas para vigorar por cinco anos. Com a proibição abrupta, aproximadamente 15,5 mil postos de trabalho foram diretamente ameaçados, segundo estimativas divulgadas após a edição da MP. O executivo destaca que o impacto vai além das operadoras: empresas de tecnologia, agências de publicidade, escritórios jurídicos, certificadoras, produtoras audiovisuais e fornecedores especializados também foram afetados pela retração repentina da demanda. "Quando uma empresa reduz contratos, seus fornecedores precisam rever despesas e equipes. Quando um profissional perde o emprego, sua capacidade de consumo diminui, afetando outros setores que aparentemente não possuem qualquer relação com a indústria originalmente atingida", escreve Fraga.
O futebol brasileiro é citado como exemplo mais visível desse impacto. Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro tinham empresas de apostas como patrocinadoras máster, com contratos que, somados, representavam cerca de R$ 910 milhões anuais. No ano anterior, os investimentos do setor em patrocínios aos clubes da primeira divisão já haviam superado R$ 1 bilhão. Para Fraga, não existe atualmente outro segmento econômico disposto ou motivado a ocupar esse espaço nas mesmas condições comerciais. O executivo atribui o volume dos investimentos publicitários não a lucros exorbitantes das operadoras, mas à dinâmica competitiva de uma indústria recém-regulamentada, na qual dezenas de marcas disputavam reconhecimento e consolidação de mercado — e o futebol era o ambiente mais eficiente para essas campanhas.
Fraga também aborda o paradoxo criado pela proibição: o encerramento das operações regulamentadas não eliminou a demanda por apostas. Segundo o artigo, nas semanas seguintes à MP, o poder público identificou e encaminhou para bloqueio mais de 40 mil endereços ligados à oferta clandestina ainda ativos. Para o executivo, isso representa a retirada do mercado justamente das empresas sobre as quais o Estado detinha maior capacidade de fiscalização — obrigadas a verificar identidade de clientes, monitorar transações, prevenir lavagem de dinheiro e aplicar mecanismos de jogo responsável. No mercado ilegal, essas exigências simplesmente não existem.
Por fim, o diretor da Stellar Gaming levanta uma questão de ordem institucional: o Brasil regulamentou uma atividade, exigiu investimentos elevados para sua exploração e concedeu autorizações com prazo determinado — para, pouco depois, extinguir esse mercado sem uma transição adequada. "A previsibilidade das regras e a segurança jurídica são elementos fundamentais para qualquer ambiente que pretenda atrair capital, estimular inovação e gerar empregos", afirma. Fraga encerra o texto depositando expectativa no equilíbrio entre os Poderes da República, esperando que o Judiciário reconheça os vícios da medida provisória e que o Legislativo atue dentro dos prazos previstos para permitir eventual retomada das operações regulamentadas.
| Indicador | Valor | Fonte/Contexto |
|---|---|---|
| Investimento por autorização | R$ 30 milhões | Valor pago por cada licença concedida pela SPA |
| Postos de trabalho ameaçados | 15,5 mil | Estimativas pós-proibição |
| Patrocínios Série A (2026) | R$ 910 milhões | Contratos anuais de 14 dos 20 clubes com empresas de apostas |
| Investimentos em patrocínios (2025) | Acima de R$ 1 bilhão | Total anual do setor de apostas nos clubes da Série A |
| Sites/páginas ilegais bloqueados | Acima de 40 mil | Endereços clandestinos identificados e encaminhados para bloqueio após a proibição |
O que isso diz sobre o mercado
- A proibição eliminou o mercado regulado mas não eliminou a demanda: já há mais de 40 mil sites clandestinos em atividade, transferindo a economia de apostas para um ambiente sem fiscalização estatal, sem proteção ao consumidor e sem recolhimento de impostos.
- O setor de apostas movimentava uma cadeia produtiva ampla (tecnologia, publicidade, mídia, esportes) que gerava 15,5 mil postos de trabalho diretos e reduções de receita para fornecedores e economia secundária; o futebol perde R$ 910 milhões em patrocínios apenas na Série A.
- A decisão prejudica a previsibilidade regulatória brasileira: empresas investiram R$ 30 milhões por autorização em conformidade com lei vigente e tiveram operações interrompidas sem transição, sinalizando risco institucional para outros setores regulados.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo de força de lei editado pelo Presidente da República em casos de relevância e urgência, com vigência imediata mas sujeita à aprovação do Congresso Nacional em prazo definido.
- Mercado regulado
- Atividade econômica autorizada e fiscalizada pelo Estado conforme normas específicas, exigindo licença, compliance e responsabilidades identificáveis dos operadores.
- Jogo problemático
- Padrão de comportamento de aposta que compromete o bem-estar financeiro, psicológico e social do indivíduo, caracterizado por perda de controle e dependência.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



