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Datafolha: uso de poupança e crédito para apostas cai, mas vício preocupa mais

Levantamento mostra redução em comportamentos financeiros de risco entre apostadores, mas cresce a parcela de brasileiros que veem a atividade como vício.

Datafolha: uso de poupança e crédito para apostas cai, mas vício preocupa mais

Imagem ilustrativa gerada por IA

Uma pesquisa do Datafolha publicada pela Folha de S. Paulo indica que diminuiu o número de brasileiros que recorrem à poupança ou a investimentos para financiar apostas online. Entre os entrevistados que já apostaram, 19% disseram ter usado dinheiro guardado para jogar — queda em relação aos 22% registrados em novembro de 2024, período anterior à plena regulamentação do setor de apostas de quota fixa no país. O levantamento ouviu 1.970 pessoas em 139 municípios de todas as regiões do Brasil, com margem de erro de dois pontos percentuais para o total da amostra.

Outros indicadores de risco financeiro também recuaram. O percentual dos que abriram mão de compras para apostar caiu de 19% para 11%. O uso de cartão de crédito para apostas passou de 15% para 10% — vale destacar que as plataformas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF), identificadas pelo domínio ".bet.br", são proibidas de aceitar esse meio de pagamento, de modo que seu uso indica acesso a sites ilegais. Empréstimos para jogar também diminuíram, de 15% para 8%, e a parcela dos que deixaram de pagar contas para apostar caiu de 13% para 6%, embora a margem de erro nesse recorte específico seja de seis pontos percentuais, dado o tamanho menor da base.

Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV) e professor da FGV Eaesp, a melhora pode refletir uma combinação de fatores. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele apontou como possíveis causas as medidas adotadas pelo governo, as restrições impostas a beneficiários de programas sociais, uma maior conscientização da população e o próprio endividamento dos usuários, que pode ter limitado a capacidade de apostar.

Apesar da redução nos comportamentos de risco, cresceu a percepção de que apostas são viciantes: 57% dos entrevistados classificam a atividade dessa forma, ante 54% no levantamento anterior. Outros 31% a veem como perda de dinheiro, 6% como diversão, 1% como fonte de renda e 1% como investimento. A pesquisa também revelou que 7% dos brasileiros com 18 anos ou mais afirmam apostar atualmente em sites de apostas ou cassinos online — mesmo patamar de 2024. O perfil predominante segue sendo masculino e jovem: 11% dos homens dizem apostar atualmente, contra 3% das mulheres, e o índice chega a 13% entre pessoas de 18 a 24 anos.

Quanto aos gastos, o Datafolha estimou que apostadores desembolsam, em média, R$ 241 por mês em apostas esportivas online e R$ 232 em cassinos online. O número difere dos dados do Ministério da Fazenda, segundo os quais aproximadamente 53% dos apostadores gastam até R$ 50 mensais. A diferença entre as metodologias pode explicar a divergência, reforçando a importância de múltiplas fontes para compreender o perfil real do apostador brasileiro em um mercado que passou por intensa transformação regulatória desde o início de 2025.

Fonte original
Com informações de SBC Notícias Brasil →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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