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Jogo Responsável

Datafolha 2026: brasileiros apostam menos recursos críticos, mas frequência se mantém

Nova pesquisa aponta queda no uso de poupança, crédito e dinheiro emprestado para jogar, enquanto o percentual de apostadores ativos e a frequência de jogo permanecem estáveis.

Datafolha 2026: brasileiros apostam menos recursos críticos, mas frequência se mantém

Imagem ilustrativa gerada por IA

Uma pesquisa do Datafolha realizada nos dias 20 e 21 de maio de 2026 revela mudanças no comportamento financeiro dos apostadores brasileiros em relação ao levantamento anterior, feito em novembro de 2024. O estudo, divulgado pela Folha de S.Paulo, ouviu 1.970 pessoas em 139 municípios de todas as regiões do país, com margem de erro de 2 pontos percentuais para a amostra total. Em linhas gerais, os dados indicam uma redução no uso de recursos comprometidos — como poupança, crédito e empréstimos — para financiar apostas, ao mesmo tempo em que o contingente de jogadores ativos e a frequência de jogo não apresentaram variação significativa.

Menos recursos críticos em jogo

As quedas nos indicadores financeiros de risco chamam atenção. A parcela dos apostadores que já recorreu à poupança para jogar recuou de 22% em 2024 para 19% na pesquisa atual. O uso do cartão de crédito para apostas caiu de 15% para 10%, e o percentual dos que pediram dinheiro emprestado para jogar foi de 15% para 8%. Ainda mais expressiva foi a redução entre os que deixaram de pagar alguma conta para direcionar o dinheiro ao jogo: de 13% para 6%. A parcela dos que abriram mão de alguma compra para apostar também encolheu, de 19% para 11%. Por se tratar de um subgrupo menor, a margem de erro para os apostadores isoladamente é de 6 pontos percentuais.

Percepção do vício cresce, mas frequência não cede

Apesar do recuo no comprometimento financeiro, o número de brasileiros que apostam em bets ou cassinos online se manteve em 7% da população adulta — o mesmo patamar de 2024. A frequência também permaneceu estável: 36% dos apostadores jogam semanalmente (ante 35% em 2024) e cerca de 20% afirmam apostar todos os dias. A percepção de que as apostas e os jogos online viciam cresceu de 54% para 57% entre os dois levantamentos, enquanto a visão de que se trata de uma perda de dinheiro permaneceu em 30%. Apenas 1% dos entrevistados enxerga bets e cassinos como fonte de renda ou investimento. O perfil predominante do apostador é masculino e jovem: 11% dos homens apostam atualmente, contra 3% das mulheres, com maior concentração na faixa de 18 a 34 anos. O gasto médio mensal é de R$ 241 em apostas esportivas e R$ 232 em cassinos online.

Endividamento e regulação como fatores de mudança

Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas) e professor da FGV Eaesp, os números, embora próximos da margem de erro, podem refletir o efeito combinado das medidas do governo — como as restrições a beneficiários do Bolsa Família — e do próprio endividamento acumulado pelos jogadores. "O superendividamento e as bets são fenômenos que andam de mãos dadas. E, como ele subiu muito, o mercado pode ter se equilibrado em uma situação ruim. O endividamento pode ter excluído alguns jogadores porque atingiu nível muito alto. É uma possibilidade, o fenômeno precisa ser estudado", afirmou o especialista. O tema ganhou espaço na nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo federal, que passou a proibir apostas para CPFs inscritos como inadimplentes no projeto. O impacto do mercado de bets no endividamento dos brasileiros tem preocupado a equipe do governo Lula, especialmente em ano eleitoral.

O relato de um apostador identificado apenas como B.S., dentista de 40 anos, ilustra uma trajetória de afastamento motivada por fatores emocionais e desconfiança do setor. Segundo ele, a ansiedade gerada pelas apostas e o medo do vício o levaram a abandonar o hábito. "Eu torcia para placares que iam prejudicar o meu time para eu conseguir ganhar um cupom de aposta. Não era saudável emocionalmente. Faz mais de um ano que não ponho dinheiro nisso", disse. O dentista citou ainda a CPI das Bets, encerrada em junho de 2025, como fator que abalou sua confiança na idoneidade das plataformas. As apostas esportivas foram legalizadas no Brasil em dezembro de 2018, no governo Michel Temer, enquanto os cassinos virtuais foram incorporados à legislação pelo Congresso em dezembro de 2023. A regulamentação operacional do setor, conduzida pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, entrou em vigor em 2025, estabelecendo exigências de licenciamento e normas de jogo responsável para as operadoras autorizadas.

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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