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Apostas Esportivas

Copa 2026 impulsiona apostas em 300%, mas faturamento fica abaixo do esperado

Volume de apostadores e depósitos disparou durante o Mundial, porém o ticket médio por pessoa frustrou as projeções do setor, enquanto a publicidade das bets gerou reação do governo e acirrou o debate regulatório.

Copa 2026 impulsiona apostas em 300%, mas faturamento fica abaixo do esperado

Imagem ilustrativa gerada por IA

O número de apostadores ativos e a quantidade de depósitos nos sites de bets cresceram cerca de 300% durante a Copa do Mundo de 2026 em comparação ao mês de maio, período sem jogos da competição. Mesmo com a eliminação precoce da seleção brasileira e uma crise de imagem associada à publicidade do setor nas transmissões, o torneio movimentou o mercado de forma expressiva. No entanto, os resultados ficaram aquém do que o setor havia projetado, conforme apuração da Folha de S.Paulo: o avanço se concentrou no volume de pessoas apostando e no número de transações, não no valor médio depositado por apostador.

Dados da plataforma financeira Klavi mostram que o depósito médio subiu de R$ 188 antes do Mundial para R$ 245,05 durante o campeonato, chegando a picos acima de R$ 400 nas vésperas dos jogos do Brasil. Contudo, no domingo de 19 de julho, dia da final entre Espanha e Argentina, o valor médio recuou para R$ 172. Leonardo Baptista, CEO da instituição de pagamentos Pay4Fun, especializada em apostas, resumiu o movimento: "Houve uma quantidade maior de transações, mas o valor depositado por pessoa não subiu significativamente." O executivo descreveu ainda "picos históricos" de transações na hora que antecede os jogos, com queda brusca após o apito inicial. Segundo Baptista, com base em dados do Ministério da Fazenda, 60% dos apostadores depositam menos de R$ 100, e a concentração de gastos está nos 10% que mais apostam.

A H2 Gambling Capital, principal consultoria global do setor, havia estimado que a Copa geraria um excedente de R$ 20 bilhões em depósitos nas bets ao longo de 2026. O CEO da empresa, Ed Birkin, avalia agora que o número ficou "um pouco" abaixo dessa projeção. Pay4Fun e H2 Gambling Capital ainda consolidam os dados finais do torneio.

Publicidade sob pressão e reação regulatória

A visibilidade das bets durante as transmissões gerou reação em cadeia envolvendo governo federal, estados e municípios. O Ministério da Fazenda editou duas portarias para reforçar normas de publicidade e ampliar obrigações dos agentes do setor, afirmando ter agido "sem alterar os princípios que orientam a regulamentação federal desde 2023". A partir de 17 de julho, toda comunicação de apostas passou a exigir uma das seguintes advertências obrigatórias: "Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência"; "Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro"; ou "Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento".

O estopim para a crise de imagem foi uma página de memes com mais de 2 milhões de visualizações, que se tornou a primeira evidência em um processo administrativo da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) sobre anúncios de bets exibidos pela CazéTV — canal que tinha três casas de apostas entre seus patrocinadores durante o torneio. O influenciador Hugo Freitas, do perfil "@FilosofiaInfinita" no Instagram, afirmou que a emissora estaria induzindo 3 milhões de pessoas a apostar, com base em análise de anúncios veiculados em 16 jogos. Em resposta, a defesa da CazéTV sustentou ao Ministério da Justiça que os anúncios respeitaram "os limites do produto oferecido pelas casas de apostas" e que "análise esportiva realizada por narradores e comentaristas não constitui ação publicitária tipificada pelas normas aplicáveis". O número de menções a bets nas redes sociais bateu recorde em junho, com pico de 73 mil menções no dia 25, segundo levantamento do Projeto Brief.

No campo judicial, a 1ª Promotoria de Defesa do Consumidor do Distrito Federal pediu a suspensão dos anúncios da bet Blaze promovidos pela influenciadora Virgínia Fonseca, seguida por 56 milhões de pessoas. A Justiça do Distrito Federal negou a antecipação de tutela em 16 de julho, por não identificar desrespeito flagrante às normas vigentes. O promotor Paulo Roberto Binicheski, autor da ação civil pública, afirmou que o Ministério Público trabalha com a Fazenda e com a Senacon para "mudar substancialmente o atual marco regulatório". O presidente da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), Plínio Lemos Jorge, alertou que o setor teme estar diante do "início de uma onda de retaliações, que desconsidera os efeitos negativos das restrições", argumentando que limitar a visibilidade dos operadores licenciados — que pagam impostos e uma licença de R$ 30 milhões — pode fortalecer o mercado clandestino.

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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