Clubes da Série A cogitam parar o Brasileirão para pressionar governo sobre ban das bets
Dirigentes discutem paralisação do campeonato como reação à MP 1.394, que proibiu as apostas esportivas no Brasil — setor que injetou R$ 1,03 bilhão no futebol nacional em 2025.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Dirigentes de clubes da elite do futebol brasileiro estão debatendo uma medida drástica: paralisar o Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal a recuar da Medida Provisória nº 1.394, que baniu as casas de apostas esportivas no país. A ameaça, reconhecida pelos próprios cartolas como extrema, ganhou força nos últimos dias em conversas internas, conforme reportagem da Folha de S. Paulo. Para se ter ideia da magnitude da decisão, a última vez que o Brasileirão ficou parado foi entre março e agosto de 2020, durante a fase mais crítica da pandemia de Covid-19.
O estopim imediato foi a convocação de uma reunião pelo governo federal, intermediada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) a pedido do Palácio do Planalto, marcada para a terça-feira (29/9). O encontro foi cancelado diante do risco de boicote dos clubes — a ausência seria a primeira demonstração formal de resistência ao governo. Além de discutir a paralisação, os dirigentes pleiteiam um período de transição antes do encerramento definitivo das operações das bets, argumentando que a proibição abrupta compromete não apenas os orçamentos de 2026, mas também os compromissos financeiros já projetados para 2027. A proposta governamental de uma linha de crédito com juros reduzidos foi classificada como insuficiente pelos representantes dos clubes.
Os números explicam a tensão. Em 2025, as bets somaram aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A do Brasileirão, crescimento de cerca de 66% sobre os R$ 618 milhões aportados pelo setor no ano anterior, segundo levantamento da consultoria Convocados. As casas de apostas se tornaram, em poucos anos, as maiores patrocinadoras do futebol nacional. A MP 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vedou novos depósitos desde 25 de setembro de 2026, prevê o encerramento dos sites das operadoras em 5 de outubro e a extinção de todas as autorizações concedidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda até 25 de outubro. Em evento na segunda-feira (28/9), ao sancionar diretrizes para o futebol feminino, Lula rebateu as críticas: "Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol", afirmou, acrescentando que "os melhores momentos da história do futebol brasileiro, não existia a bets".
A pressão também recai sobre a CBF, cobrada pelos clubes a assumir uma posição ativa no debate — algo que a entidade tem evitado. Procurada nos últimos dias, a confederação se limitou a informar que não comentaria a MP, mantendo a mesma postura quando novamente acionada na terça-feira (29/9). A situação é delicada para a CBF, que mantém contrato com a plataforma de apostas Betano e foi escolhida pelo governo como interlocutora junto a times das Séries A, B, C e D justamente por reunir, em sua cúpula, dirigentes com vínculos políticos. Entre os oito vice-presidentes da entidade está Gustavo Dias Henrique, responsável pela articulação política da CBF e primeiro suplente de Renan Calheiros (MDB) na disputa por uma cadeira no Senado por Alagoas. Também figura nos bastidores da gestão atual Francisco Schertel Mendes, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que ocupa a vice-presidência da Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF) e integra a assembleia da CBF.
| Período | Valor (R$ bilhões) | Variação |
|---|---|---|
| 2024 | 0,618 | — |
| 2025 | 1,03 | +66% |
O que está em jogo
- Clubes da Série A ameaçam paralisar o Campeonato Brasileiro para pressionar o governo a revisar a MP que proibiu as bets, principal fonte de receita do futebol nacional.
- A ameaça visa forçar um período de transição antes do encerramento definitivo das operações, pois a suspensão abrupta compromete orçamentos de 2026 e 2027 dos clubes.
- A mobilização revela tensão entre objetivo de governo (eliminar apostas) e viabilidade financeira do futebol, com CBF pressionada a assumir posição ativa no debate.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo expedido pelo presidente da República que tem força de lei imediata, mas depende de aprovação do Congresso Nacional para vigorar indefinidamente.
- Patrocínio esportivo
- Investimento de empresa em clube, competição ou evento desportivo em troca de visibilidade da marca.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



