Caixa cancela licitação de R$ 1,6 mi para sistema de monitoramento de apostadores
Processo lançado em maio de 2025 para identificar padrões de jogo problemático nas loterias foi encerrado 27 minutos após ser retomado. Banco cita reavaliação estratégica e inadequação das propostas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Caixa Econômica Federal cancelou, em 21 de maio de 2026, a licitação que pretendia contratar tecnologia para monitorar o comportamento de apostadores e identificar sinais de jogo problemático em seus produtos lotéricos. O desfecho foi abrupto: o certame foi formalmente retomado às 11h42 daquela quinta-feira e, apenas 27 minutos depois, às 12h09, o banco enviou notificação de anulação e revogação do processo. A iniciativa havia sido lançada em maio de 2025, acumulando mais de um ano de tramitação.
O processo previa a assinatura de até dois Contratos Públicos de Solução Inovadora (CPSI), no valor de R$ 1,6 milhão cada, para o desenvolvimento de um sistema de "score" de risco para jogadores. O modelo era baseado no Marco Legal das Startups, mecanismo que permite ao poder público selecionar e testar tecnologias em ambiente real antes de firmar acordos definitivos de fornecimento. Tanto a CAIXA Loterias S.A. quanto a Caixa Econômica Federal utilizavam esse formato no certame. Entre as empresas que chegaram à fase final estavam Serasa, Openbet, Aetos, Better Collective e Soft-Intel Consultoria — sendo Serasa e Openbet já apontadas como vencedoras antes de o processo ser suspenso.
Em nota ao jornal Valor, a Caixa justificou a decisão afirmando que ela "decorre de reavaliação estratégica realizada a partir dos elementos produzidos ao longo das etapas do processo, incluindo análises técnicas, econômico-financeiras e procedimentais das propostas apresentadas, além de aspectos supervenientes com impacto no cenário de vantajosidade da solução tal como desenhada". O banco acrescentou que "as soluções avaliadas não demonstraram aderência suficiente às especificidades operacionais e ao perfil de risco do ambiente de atuação da Caixa Loterias, especialmente no que se refere às loterias de prognósticos". Após a notificação, foi aberto prazo de cinco dias úteis para que as empresas licitantes exercessem o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme o Art. 62, §3º, da Lei nº 13.303/2016, com encerramento em 26 de maio.
A licitação cancelada estava alinhada ao Responsible Gaming Framework da World Lottery Association (WLA), entidade internacional que estabelece padrões éticos para a comercialização de produtos lotéricos. A Caixa já detém o nível 3 de certificação da associação. O processo ganhou relevância adicional pelo momento em que foi concebido: o banco planejava ampliar sua atuação para apostas esportivas e jogos online, segmentos nos quais o monitoramento de risco do apostador tem peso regulatório crescente, sobretudo com a consolidação do marco regulatório de apostas no Brasil, conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. A Caixa não esclareceu se pretende relançar o certame com novos requisitos ou se a decisão representa uma mudança mais ampla na estratégia de jogo responsável para suas loterias de prognósticos.
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