Brasil x África do Sul: como os perfis de apostadores diferem nos dois mercados
Análise da SOFTSWISS com a OddsMarket revela que, apesar de ambos os países terem o futebol no centro, os hábitos dos jogadores, a maturidade do mercado e os riscos para operadoras são bem distintos.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Brasil e África do Sul compartilham algumas características: são mercados de apostas em expansão acelerada e têm o futebol como esporte favorito dos apostadores. Mas, segundo estudo conjunto da SOFTSWISS e da OddsMarket, as semelhanças param por aí. Alexander Kamenetskyi, chefe de Sportsbook da SOFTSWISS, e Sergii Mykhailenko, CPO da OddsMarket, mapearam as diferenças de comportamento entre os dois mercados — e as implicações dessas diferenças para quem opera nesses territórios.
Apostadores recreativos dominam, mas o equilíbrio varia
Nos dois países, a maioria dos jogadores é recreativa. No Brasil, porém, o perfil é marcado por apostas frequentes de valor baixo, com forte preferência por múltiplas (parlays/acumuladas) e pelo mercado ao vivo. Dados citados pelo então Secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, em podcast de meados de 2025, indicam que 17,7 milhões de brasileiros fazem apostas esportivas. Os homens representam 71,1% desse universo, e cerca de metade dos usuários tem menos de 30 anos. O gasto médio por apostador ativo é de aproximadamente R$ 983 (US$ 181) a cada seis meses — ou cerca de R$ 164 (US$ 30) por mês —, o que reforça o caráter essencialmente recreativo da atividade. Na África do Sul, o mercado é mais antigo e consolidado: os jogadores apostam com menos frequência, mas com valores médios maiores por aposta, e há uma presença mais estruturada de apostadores profissionais (os chamados sharps).
Futebol lidera nos dois mercados, mas a diversificação sul-africana é maior
Um levantamento da Flashscore publicado em novembro de 2025 mostra que 88% dos apostadores brasileiros fizeram apostas em futebol nos 90 dias anteriores à pesquisa. Basquete aparece em segundo lugar (23%) e eSports em terceiro (16%). Os mercados mais escolhidos são Resultado da Partida (58%), Ambas as Equipes Marcam (49%) e Total de Gols Acima/Abaixo (48%). O engajamento gira em torno do Campeonato Brasileiro Série A, Copa do Brasil, Copa Libertadores, seleção nacional e grandes ligas europeias. Na África do Sul, o futebol também encabeça as preferências — com destaque para a Premier Soccer League local, a Premier League inglesa e a Liga dos Campeões —, mas o portfólio de esportes é consideravelmente mais diverso. Corridas de cavalos, tênis, basquete, rúgbi, críquete e MMA/UFC também movimentam volume relevante, especialmente em grandes eventos como a Copa do Mundo de Rúgbi, a Copa do Mundo de Críquete e o IPL.
Apostas ao vivo x pré-jogo: uma divisão quase oposta
Uma das diferenças mais marcantes entre os dois mercados está na preferência pelo tipo de aposta. No Brasil, as apostas ao vivo (in-play) dominam amplamente: dados internos da OddsMarket indicam que cerca de 85% dos apostadores experientes brasileiros atuam com foco no mercado ao vivo. A combinação de comportamento mobile-first e pagamentos instantâneos via PIX permite que o jogador recarregue e aposte durante a mesma partida, em uma única sessão. "O fato de as apostas ao vivo terem atingido um pico tão dramático no Brasil destaca o quão experiente em tecnologia e de ação rápida a comunidade de apostas local se tornou", afirma Sergii. Já na África do Sul o cenário é invertido: as apostas pré-jogo prevalecem, em linha com o padrão da maioria dos mercados globais, reflexo de uma cultura de aposta mais estruturada e de uma base maior de apostas no varejo físico.
Risco operacional: sharps, multi-contas e gestão de limites
Do ponto de vista do risco para as operadoras, a África do Sul apresenta um ecossistema de sharps mais organizado e previsível: estratégias de value betting, arbitragem e testes de limites já estão bem desenvolvidas, e as casas têm mais experiência para identificar e responder a esses comportamentos. No Brasil, a atividade sharp cresce rapidamente — impulsionada pelo futebol, pelo PIX e pela expansão do mercado móvel —, mas ainda é mais fragmentada. Sergii destaca que grupos de Telegram e WhatsApp distribuem sinais de arbitragem gratuitamente, e há um mercado expressivo de cursos e academias voltados ao tema, com preços que variam de US$ 100 a US$ 1.000. Um dado relevante: cerca de 40% a 60% dos operadores brasileiros ainda atuam na chamada zona cinzenta da regulamentação, com procedimentos de KYC menos rigorosos, mas com políticas de limites e bloqueio de contas mais agressivas. Segundo a OddsMarket, as dez casas mais utilizadas por sharps brasileiros estão divididas de forma quase equilibrada entre plataformas cinzas (40%) e licenciadas (60%). O abuso de bônus e o uso de multi-contas também são riscos mais presentes no Brasil, dado o ambiente regulatório ainda em maturação — o país iniciou a operação do mercado regulado de apostas esportivas em janeiro de 2025, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Para Alexander, as operadoras não devem depender apenas do KYC para coibir abusos: sistemas de bônus com regras claras, limites definidos e monitoramento contínuo de atividades suspeitas são igualmente necessários.
Android domina, mas iOS carrega mais valor por usuário
Em ambos os mercados, o Android é o sistema operacional majoritário: o Brasil registra cerca de 80% de participação, e a África do Sul, aproximadamente 78%. O iOS, embora minoritário, tende a concentrar usuários com depósitos médios mais altos, maior retenção e menor taxa de abandono (churn). "As operadoras precisam de um excelente desempenho do Android para escala, mas não devem negligenciar a experiência do usuário do iOS, pois ele geralmente carrega uma parcela desproporcional de jogadores de maior valor", pondera Alexander. A conclusão geral do estudo é que o Brasil exige das operadoras agilidade, escala e atenção redobrada ao comportamento em tempo real, enquanto a África do Sul demanda foco em gestão de risco sofisticada e relacionamento com um perfil de jogador mais experiente e metódico.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



