Brasil é porta de entrada para a América Latina, avalia executivo da Zenith
Gustavo Hiroshi, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Zenith, analisa o impacto da regulamentação brasileira e como o país orienta estratégias de expansão de operadoras na região.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Brasil deixou de ser apenas um mercado promissor para se tornar a principal referência do igaming na América Latina. Essa é a avaliação de Gustavo Hiroshi, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Zenith, que vê uma mudança concreta na forma como operadoras internacionais encaram o país: não mais como um destino isolado, mas como ponto de partida para toda a região. "O Brasil é a referência e, neste momento, a maioria das operadoras sérias já sabe disso", afirmou o executivo. Segundo ele, dados de desempenho coletados no mercado brasileiro estão sendo usados para embasar decisões na Colômbia, no Peru e no México.
Lições do primeiro ano regulado
A regulamentação das apostas de quota fixa, que entrou em vigor no início de 2025 sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, impôs uma transformação rápida e custosa ao setor. Hiroshi ressalta que a complexidade do novo ambiente pegou de surpresa até operadoras que julgavam estar preparadas. Além das taxas de licenciamento e da carga tributária elevada, as empresas precisaram ampliar equipes e investir em compliance, áreas jurídicas, jogo responsável, KYC e processos operacionais. "O mercado se tornou muito mais complexo, muito mais caro e muito mais exigente praticamente da noite para o dia", disse. O executivo também aponta que mudanças nas regras introduzidas após a concessão da maioria das licenças geraram incerteza real, e que a fiscalização contra operadoras não licenciadas não foi tão eficaz quanto o setor esperava.
Cautela na expansão regional
Essas experiências mudaram a postura das operadoras ao avaliar outros mercados latino-americanos. Hiroshi descreve uma abordagem mais estruturada e cautelosa, distante da lógica de "avançar rápido e resolver os problemas depois". Ele observa que muitas empresas optam por entrar inicialmente em novos mercados por meio de operações não licenciadas para testar comportamento de jogadores, custos de aquisição e desempenho de produtos, antes de se comprometerem com um lançamento totalmente regulamentado. "O Brasil mostrou que o investimento necessário para operar adequadamente em um ambiente regulamentado é significativo e que assumir compromissos antes de compreender o mercado pode ser um erro caro", destacou.
Localização como fator decisivo
Para Hiroshi, a localização de conteúdo é um dos principais fatores de sucesso na expansão regional. O executivo reforça que o que funciona bem no Brasil não necessariamente terá o mesmo desempenho na Colômbia, no Peru ou no México, já que cada país possui comportamento de consumo, preferências de pagamento e expectativas de jogadores distintos. Ele aponta que gestores de cassino e equipes de CRM precisam acompanhar tendências emergentes, jogos promovidos por influenciadores digitais e novas mecânicas de forma contínua, pois esses elementos podem alterar rapidamente a demanda. Na avaliação do executivo, a influência do Brasil sobre o desenvolvimento regulatório e a profissionalização da indústria na América Latina deve crescer nos próximos anos, com padrões de compliance, tecnologia e estrutura operacional sendo elevados como reflexo direto das exigências impostas no mercado brasileiro.
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