Patrocínio de bets equivale a 7% da receita dos clubes da Série A, aponta levantamento
Apesar do manifesto assinado por clubes brasileiros contra uma possível MP que proibiria cassinos online, dados mostram que a dependência financeira em relação às casas de apostas é menor do que o alarme sugere.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Um levantamento do Globo Online Esportes jogou água fria no discurso de crise total propagado pelo futebol brasileiro. Apesar de 13 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro estamparem casas de apostas como patrocinadoras máster em suas camisas, os números mostram que nenhum contrato com uma bet responde por mais de 13% do orçamento de qualquer equipe da elite. Na média, as receitas provenientes dessas empresas representam cerca de 7% do total arrecadado pelos clubes da primeira divisão.
O contexto que motivou a divulgação dos dados é a movimentação dos clubes contra uma possível Medida Provisória do Governo Federal que proibiria os cassinos online no Brasil. Na última quinta-feira (18/9), as equipes assinaram um manifesto conjunto alertando para um suposto "fim do futebol brasileiro" caso a medida avance. O temor central é que as bets, hoje as principais patrocinadoras do esporte nacional, sejam forçadas a renegociar ou encerrar contratos em razão de uma eventual retração no faturamento. O levantamento, porém, relativiza o tamanho dessa dependência. O volume total injetado pelas casas de apostas no futebol brasileiro em 2026 é de aproximadamente R$ 1,1 bilhão — mesmo patamar da temporada anterior. Os valores levam em conta as receitas brutas registradas nos orçamentos de 2025 e os montantes fixos acertados com as empresas, sem incluir bônus contratuais.
Flamengo lidera exposição relativa; Palmeiras dilui impacto com receita bilionária
O Flamengo é o clube com maior exposição proporcional ao patrocínio de bet. A Betano paga R$ 268,5 milhões por temporada ao Rubro-Negro — o maior contrato da história do futebol brasileiro —, cifra que, ainda assim, representa 12,85% da receita bruta do clube em 2025, estimada em R$ 2,08 bilhões, o maior faturamento já registrado por uma equipe no país. Corinthians e São Paulo são os únicos outros clubes com participação de bet acima de 10% do orçamento: 10,6% e 10,5%, respectivamente. A Esportes da Sorte paga R$ 103 milhões fixos ao Corinthians por ano, enquanto a Superbet repassa R$ 113 milhões anuais ao São Paulo. O Palmeiras, que recebe R$ 100 milhões fixos por ano da Sportingbet, vê essa fatia cair para apenas 5,6% de seu orçamento, graças à segunda maior receita bruta do futebol nacional em 2025: R$ 1,78 bilhão.
Clubes com menor exposição e equipes sem bets nas camisas
Para os demais clubes — com exceção do trio Flamengo, Corinthians e São Paulo —, nenhum contrato de bet ultrapassou 8% da receita bruta em 2025. Botafogo (3,8%) e Remo (3,6%) aparecem como os que têm menor dependência proporcional entre os times com acordos vigentes. Já Bahia, Grêmio e Internacional ficaram sem patrocinadores do setor nesta temporada após romperem com suas antigas bets máster. Na Série A, Athletico-PR e Coritiba também deixaram de contar com apoio das casas de apostas que os acompanharam na Série B em 2025. Bragantino e Mirassol seguiram caminho distinto e optaram por empresas de bebidas como patrocinadoras estampadas em suas camisas, demonstrando que parte do futebol brasileiro já opera — e de forma sustentável — sem depender diretamente do setor de apostas.
| Clube | Operadora | Valor (R$ milhões) | % da receita bruta |
|---|---|---|---|
| Flamengo | Betano | 268,5 | 12,85% |
| São Paulo | Superbet | 113 | 10,5% |
| Corinthians | Esportes da Sorte | 103 | 10,6% |
| Palmeiras | Sportingbet | 100 | 5,6% |
| Botafogo | não informado | não informado | 3,8% |
| Remo | não informado | não informado | 3,6% |
| Demais clubes com bets | não informado | não informado | até 8% |
O que isso diz sobre o mercado
- Apesar da grande visibilidade das bets como patrocinadoras, a receita média que elas representam (7%) é menor que o alarmismo do manifesto dos clubes sugere, indicando capacidade moderada de absorção de impactos caso haja restrições.
- Os três maiores clubes (Flamengo, Corinthians e São Paulo) concentram a maior dependência, atingindo 10-13% de suas receitas; para a maioria dos demais, a dependência fica abaixo de 8%, oferecendo margem de recomposição se contratos forem cancelados.
Entenda os termos
- Medida Provisória
- Ato normativo de urgência editado pelo Presidente da República que tem força de lei imediatamente após publicação, mas precisa ser votado no Congresso Nacional em até 60 dias para ser convertida em lei ou perder validade.
- Patrocinador máster
- Empresa que é a principal patrocinadora de um clube desportivo, tendo seu marca estampada na frente da camisa do time em competições.
- Cassinos online
- Plataformas na internet que oferecem jogos de azar por dinheiro real, como roleta e blackjack, distintos das casas de apostas em eventos esportivos.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



