FPF e clubes alertam Nunes: proibição de patrocínio de apostas custaria R$ 1 bi ao futebol paulistano
Federação Paulista de Futebol e seis clubes da capital enviaram ofício ao prefeito pedindo diálogo técnico antes da sanção de dois projetos de lei que restringiriam publicidade de casas de apostas em estádios e arenas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Federação Paulista de Futebol (FPF) e seis clubes sediados na cidade de São Paulo encaminharam, na última terça-feira (24/7), um ofício ao prefeito Ricardo Nunes contra dois projetos de lei que proibiriam a publicidade de operadoras de apostas esportivas em estádios, arenas e centros de treinamento no município. O documento estima que a aprovação das medidas geraria um impacto de ao menos R$ 1 bilhão em renegociações e rescisões contratuais. Os PLs mencionados são o 553/2025, de autoria do vereador Adrilles Jorge, e o 560/2025, do vereador João Jorge — ambos apensados entre si e já apreciados pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal. Nunes havia manifestado publicamente a intenção de sancioná-los após aprovação em plenário.
Assimetria entre clubes no centro do debate
Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Portuguesa SAF, Juventus SAF e Nacional Atlético Clube são os clubes signatários do ofício. O argumento central da FPF não é apenas financeiro: a entidade aponta que, por ter alcance exclusivamente municipal, a norma criaria uma desigualdade competitiva entre os times da capital e rivais de outras cidades e estados, que continuariam podendo oferecer exposição plena a patrocinadores do setor de apostas em suas partidas como mandantes. Na prática, dois clubes disputando a mesma competição teriam capacidade radicalmente diferente de entregar visibilidade de marca a um mesmo patrocinador, a depender apenas do município onde estão sediados. O documento ainda alerta que a perda de receita ameaçaria empregos diretos e indiretos, além de comprometer o custeio de folhas salariais, infraestrutura e investimentos no futebol feminino.
Efeitos além do futebol paulistano
O ofício projeta impactos que extrapolam as divisões do futebol brasileiro. Clubes de fora da capital que disputem partidas em São Paulo — pelo Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil ou competições continentais — seriam obrigados a remover marcas de apostas de seus uniformes especificamente nesses jogos, descaracterizando contratos válidos em todo o restante do país. A FPF também menciona a Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá partidas na capital paulista: eventuais conflitos entre a legislação municipal e os contratos comerciais da FIFA, que frequentemente contemplam operadores de apostas licenciados, poderiam reduzir a atratividade da cidade para o torneio. Outros segmentos citados no documento como potencialmente prejudicados incluem a Fórmula 1, jogos da NFL na Neo Química Arena, Superliga de Vôlei, Liga Nacional de Basquete, Liga de Futsal, Kings League no Nubank Parque, eventos de MMA e competições de esports — todos com algum grau de patrocínio por operadoras regularmente licenciadas.
O que a FPF propõe ao prefeito
Em vez de simplesmente rejeitar os projetos, a FPF apresenta duas solicitações formais. A primeira é a abertura de um diálogo técnico entre a Prefeitura, a federação e os clubes antes de qualquer sanção, para que os impactos econômicos e competitivos sejam devidamente dimensionados. Como alternativa subsidiária, o ofício propõe que, caso a sanção seja mantida, a lei inclua exceção específica para publicidade veiculada no interior de arenas, ginásios, estádios e centros de treinamento de uso esportivo profissional — ambientes já submetidos a controle regulatório federal. O documento pede ainda uma cláusula de transição que preserve contratos de patrocínio firmados antes da eventual entrada em vigor da norma. A FPF também afirma que a proibição, por si só, não produziria efeitos diretos de redução da ludopatia, e se oferece a engajar marcas e torcidas em campanhas de prevenção e conscientização como contrapartida — compromisso que sugere poderia ser incorporado ao próprio texto legal. A decisão sobre aceitar o diálogo técnico ou manter o calendário de votação permanece com o prefeito.
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