Copa do Mundo 2026 impulsionou apostas, mas resultado ficou abaixo do esperado
Levantamento da Klavi mostra que depósitos em plataformas cresceram durante o torneio, mas a eliminação precoce do Brasil frustrou projeções do setor.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Copa do Mundo de 2026, realizada entre 11 de junho e 19 de julho, gerou um movimento expressivo nas plataformas de apostas brasileiras, mas o desempenho geral do setor ficou aquém do projetado. É o que aponta um levantamento da Klavi, empresa de tecnologia financeira, que analisou uma amostra de 1,2 milhão de pessoas e registrou R$ 992,1 milhões em depósitos enviados às plataformas durante o período do torneio — valores que refletem apenas a amostra estudada e não o total movimentado pelo mercado.
Os dados da Klavi mostram que o valor médio dos depósitos subiu de R$ 188 para aproximadamente R$ 245 ao longo do Mundial. O pico ocorreu às vésperas das partidas da Seleção Brasileira, quando a média chegou a R$ 400. Após a eliminação do Brasil nas oitavas de final, o ticket médio recuou para R$ 172. Em comparação com maio deste ano, o volume total de apostas cresceu cerca de 300% durante a competição.
Apesar do crescimento nos indicadores, as expectativas do mercado eram mais altas. Ed Birkin, CEO da H2 Gambling Capital — empresa global de inteligência e consultoria em iGaming —, declarou à Folha de S.Paulo que a projeção era de que os depósitos em plataformas de apostas chegassem a R$ 20 bilhões em 2026, em grande parte impulsionados pelo torneio. A saída antecipada da seleção nacional, aliada ao debate em curso sobre a publicidade de apostas no Brasil, contribuiu para que o setor não atingisse esse patamar. Leonardo Baptista, CEO da instituição de pagamentos Pay4Fun, corroborou a avaliação ao afirmar que os depósitos dos brasileiros "não apresentaram crescimento significativo" durante a Copa.
Baptista ainda detalhou o comportamento dos apostadores ao longo do torneio: os picos de transações se concentravam entre um hora e um minuto antes do início de cada partida. O executivo também citou dados do Ministério da Fazenda segundo os quais 60% dos usuários apostam menos de R$ 100, e ponderou que depositar valores mais elevados não indica, por si só, dependência em jogos, observando que há "pessoas com muito dinheiro para apostar". Tanto a H2 Gambling Capital quanto a Pay4Fun devem divulgar em breve estudos próprios com balanços mais amplos sobre o desempenho do setor durante o Mundial.
O contexto regulatório do mercado brasileiro também pesa sobre as análises. Desde o início de 2025, as apostas esportivas operam sob um novo marco legal no país, com licenciamento obrigatório gerenciado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. O ambiente regulado trouxe mais transparência ao setor, mas também novas exigências operacionais e um debate crescente sobre os limites da publicidade — fator que, segundo os especialistas ouvidos, freou parte do potencial de expansão que um evento do porte da Copa do Mundo poderia ter gerado.
A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



