CCJ do Senado remove artigo que desviaria R$ 500 mi das bets do esporte
A comissão aprovou relatório que exclui trecho da PEC da Segurança Pública capaz de cortar recursos vitais para confederações e clubes esportivos brasileiros.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal aprovou, na quarta-feira (2), o relatório da PEC nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, com a supressão integral do artigo 139 do texto. O dispositivo, inserido durante a tramitação na Câmara dos Deputados, determinava o redirecionamento de 30% da arrecadação das apostas de quota fixa para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e para o Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN), ameaçando um rombo estimado em cerca de R$ 500 milhões anuais no orçamento esportivo do país.
O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), argumentou que a proposta original alterava a lógica de distribuição de verbas sem o necessário debate aprofundado, e ponderou que a área de segurança pública conta com outras fontes de financiamento disponíveis, sem necessidade de comprometer as destinações já estabelecidas para o esporte. Com a exclusão do artigo, permanece vigente a distribuição prevista pela Lei nº 13.756/2018, que direciona esses recursos para financiar formação de atletas, preparação técnica de base, organização de competições locais e a participação de delegações brasileiras em torneios internacionais.
Mobilização reuniu entidades e lideranças do esporte nacional
A reversão foi resultado de intensa articulação política conduzida pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e pela Confederação Nacional de Clubes (FENACLUBES), liderados respectivamente pelos presidentes Paulo Maciel e Arialdo Boscolo. A campanha, denominada "Luto pelo Esporte", incluiu estudos de impacto financeiro e encontros com ministros de Estado e com Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Também integraram o movimento o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), a Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), a Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e o Clube de Regatas do Flamengo.
Paulo Maciel celebrou o resultado, mas fez questão de ressaltar que a batalha não terminou. "Esse resultado preserva as condições necessárias para que os Clubes continuem avançando na formação esportiva. Ainda temos muito a fazer, mas a transformação dos últimos anos é real e decorre de investimento, estrutura e continuidade. O CBC, a FENACLUBES e os Clubes realizaram um trabalho intenso, com presença em Brasília, informação técnica e diálogo permanente. Agora, precisamos manter a mobilização para confirmar a proteção no Plenário", afirmou. Na mesma linha, Arialdo Boscolo destacou o alcance da mobilização: "A FENACLUBES levou ao debate a realidade de mais de 11 mil Clubes, que geram empregos, movimentam as cidades e realizam um trabalho diário de grande importância para a sociedade. A decisão da CCJ é uma conquista importante, mas o trabalho continua até a conclusão da votação."
A aprovação pelo plenário do Senado ainda é necessária para que a exclusão do artigo 139 seja definitivamente confirmada. O desfecho do processo legislativo segue como ponto de atenção para o setor esportivo e para o mercado de apostas, já que os repasses oriundos das bets reguladas se tornaram uma fonte relevante de sustentação financeira para entidades e clubes em todo o Brasil desde a estruturação do marco regulatório das apostas de quota fixa.
O que isso diz sobre o mercado
- A exclusão do artigo 139 da PEC nº 18/2025 pela CCJ do Senado preserva cerca de R$ 500 milhões anuais que continuarão financiando confederações, competições esportivas e formação de atletas no Brasil, mantendo intacta a distribuição fixada pela Lei nº 13.756/2018.
- O desvio de recursos das apostas havia sido aprovado na Câmara, mas foi revertido pela pressão de entidades esportivas (CBC, FENACLUBES, COB, CPB, CBDE, CBDU) que demonstraram o impacto estrutural que teria na base do esporte nacional.
- A decisão não é definitiva: a PEC ainda precisa passar pela votação no Plenário do Senado, mantendo a necessidade de mobilização contínua do setor esportivo para confirmar a proteção dos repasses.
Entenda os termos
- Lei nº 13.756/2018
- Lei que regulamenta as apostas de quota fixa no Brasil e define a distribuição de recursos da arrecadação para o financiamento do esporte nacional.
- PEC nº 18/2025
- Proposta de Emenda à Constituição em tramitação no Senado Federal sobre Segurança Pública que, em versão inicial, previa desvio de recursos das apostas.
- Artigo 139
- Dispositivo retirado da PEC nº 18/2025 que desviava 30% da arrecadação das apostas de quota fixa para fundos de segurança pública e sistema penitenciário.
- Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN)
- Fundos federais destinados, respectivamente, a políticas de segurança pública e sistema penitenciário nacional, para os quais o artigo 139 desviaria recursos das bets.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



