Copa do Mundo 2026 deve acelerar downloads e engajamento em apps de apostas na América Latina
Levantamento da Adjust mostra que a Copa de 2022 elevou instalações de aplicativos de betting em 8% globalmente; edição de 2026, com 48 seleções e 104 partidas, deve ampliar o movimento.
Foto: Waseem Lazkani / Pexels
A Copa do Mundo de 2026, marcada para começar em junho do ano que vem com sede compartilhada entre Estados Unidos, Canadá e México, deverá provocar uma nova onda de crescimento no consumo de aplicativos móveis na América Latina — e o setor de apostas esportivas está entre os diretamente beneficiados. É o que indicam dados da Adjust, plataforma de analytics pertencente à AppLovin (NASDAQ: APP), que analisou o comportamento digital dos usuários durante a Copa do Mundo de 2022 em comparação às médias gerais de novembro daquele ano.
No campo das apostas, os números já chamavam atenção na edição anterior do torneio. Globalmente, os aplicativos de betting registraram alta de 8% em downloads no dia de abertura da Copa de 2022. Ao longo da primeira semana da competição, as instalações cresceram 5%, acompanhadas de aumento tanto no número de sessões quanto no tempo médio de uso. Na América Latina especificamente, os apps de apostas tiveram crescimento de 4% em instalações nas datas consideradas mais relevantes do torneio — reflexo do alto engajamento da região com o futebol.
O efeito, porém, não se limitou ao betting. Durante a primeira semana da Copa de 2022, os downloads globais de aplicativos de notícias esportivas dispararam 56% e as sessões avançaram 28%, enquanto apps de streaming registraram alta de 41% em downloads. O tempo médio de sessão nesses aplicativos também cresceu: em streaming, passou de 32,2 para 32,85 minutos; em notícias esportivas, saltou de 23,99 para 26,24 minutos. Partidas decisivas da América Latina intensificaram ainda mais esses picos — no jogo entre Argentina e México, em 26 de novembro de 2022, os downloads de apps de notícias esportivas cresceram 93% e os de streaming avançaram 65%. Dados da Sensor Tower indicam que o Brasil foi um dos países mais impactados: na estreia da Seleção contra a Sérvia, os downloads de apps esportivos subiram 248% e os de notícias, 188%.
"O futebol se transformou em um catalisador de comportamento digital durante a Copa. O usuário acompanha partidas, consome conteúdo em tempo real, interage nas redes e utiliza múltiplos aplicativos simultaneamente ao longo do torneio", afirmou Fernando Cabral, diretor de Growth da Adjust. Para a edição de 2026, a expectativa é de que o impacto seja ainda maior: pela primeira vez, o Mundial contará com 48 seleções — ante 32 nas edições anteriores — e terá 104 partidas no total, ampliando o calendário e o potencial de audiência em diferentes mercados e fusos horários.
No Brasil, o contexto do mercado de apostas também ganhou novo contorno. O país regulamentou o setor de apostas esportivas de quota fixa a partir de janeiro de 2025, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Com operadores licenciados obrigados a oferecer aplicativos dentro das normas nacionais, a Copa de 2026 chega em um momento em que o mercado regulado já estará mais maduro, com maior número de plataformas aptas a capturar o pico de engajamento previsto para o torneio. "A tendência é que a Copa de 2026 acelere ainda mais o consumo simultâneo de conteúdo e serviços digitais. O celular passa a funcionar como uma segunda tela permanente durante os jogos, concentrando entretenimento, informação, compras e interação em tempo real", completou Cabral.
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