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Mercado & Negócios

Bets faturam R$ 12,2 bi em quatro meses e dobram arrecadação tributária no Brasil

Setor de apostas online cresceu 105% no primeiro quadrimestre de 2026 ante igual período de 2025, com recolhimento de R$ 4,5 bilhões em impostos — patamar próximo ao de tabaco e agricultura.

Bets faturam R$ 12,2 bi em quatro meses e dobram arrecadação tributária no Brasil

Foto: Alesia Kozik / Pexels

O mercado regulamentado de apostas esportivas e cassinos digitais no Brasil registrou faturamento de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e abril de 2026, expansão de 105% na comparação com os primeiros quatro meses de 2025, quando o setor iniciou operações sob licença do governo federal. Os dados são da Receita Federal e foram revelados em reportagem de capa da Folha de S.Paulo deste domingo. No mesmo período, a arrecadação tributária das empresas do setor atingiu R$ 4,5 bilhões — o dobro dos R$ 2,2 bilhões recolhidos no quadrimestre anterior. A contribuição fiscal corresponde a 37% da receita total do segmento.

Peso fiscal equiparável a setores tradicionais

O volume de impostos recolhido pelas bets já se aproxima da contribuição mensal das indústrias do tabaco e da agricultura ao fisco, cada uma respondendo por cerca de R$ 1 bilhão por mês. Em 2025, primeiro ano completo do mercado regulado, o faturamento total do setor alcançou R$ 36,9 bilhões. O crescimento ocorreu mesmo diante de restrições governamentais e judiciais que proibiram apostas por beneficiários de programas sociais e pessoas endividadas. Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas, atribui a expansão à maior penetração das casas de apostas na sociedade brasileira impulsionada por publicidade.

Copa do Mundo e expectativas para 2026

O calendário esportivo deve ampliar ainda mais os números do setor neste ano. A consultoria H2 Gambling Capital projeta aumento entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões nos valores depositados para apostas esportivas durante a Copa do Mundo. Ed Birkin, presidente da H2, ressalva, porém, que o ganho extra exato ainda é incerto, pois o faturamento do setor é calculado pelo saldo remanescente após o pagamento dos prêmios aos vencedores — e esse valor dependerá diretamente dos resultados em campo. Marco Túlio Oliveira, CEO da Ana Gaming, controladora das marcas Bet7K e CassinoPix, projeta crescimento entre 10% e 15% para 2026, com desaceleração em relação ao ritmo inicial. "Era um mercado que não existia e agora as empresas já se instalaram", afirmou. "Depois, o mercado legal vai crescer como cresce a economia", declarou.

Concentração de mercado e grandes contratos

O Ministério da Fazenda emitiu 85 licenças desde o início da operação regulada, cada uma permitindo a atividade de até três sites, totalizando 187 plataformas autorizadas no país. Dados da pasta indicam que 25 milhões de CPFs realizaram apostas em 2025, com gasto médio de R$ 123 por mês por jogador — valor já descontadas as premiações recebidas. Cada apostador possui conta em quatro bets, em média. Dez marcas concentravam 68,8% do mercado ao fim de 2025, segundo a H2. A grega Betano lidera com 23% da receita do setor no Brasil e firmou contrato de patrocínio com o Flamengo no valor de R$ 268,5 milhões por três anos. A Esportes da Sorte, empresa pernambucana, estabeleceu parceria com o Corinthians por R$ 150 milhões também para três temporadas. Birkin avalia que o mercado está saturado de operadores de pequeno porte, que tendem a falir ou ser absorvidos pelos maiores. "Não é algo popular de se dizer, mas o fato é que existem operadores legalizados que simplesmente têm desempenho abaixo do esperado e não possuem uma estrutura boa o suficiente", afirmou.

Jogo problemático e mercado ilegal ainda preocupam

O avanço do setor convive com debates sobre endividamento, dependência e concorrência ilegal. Levantamento Nacional de Álcool e Drogas da Unifesp, divulgado em 2025, apontou que 4,4% dos apostadores brasileiros vivem situação de "jogo problemático" — taxa superior à média mundial de 2%. A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) afirmou em nota que "a atividade causa prejuízos a empresas e consumidores, especialmente os mais vulneráveis". No campo ilegal, estudo da consultoria LCA encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) estima que operadores clandestinos detêm entre 41% e 51% do mercado total, o que representaria entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões em movimentação. A H2 Gambling Capital, com base em dados do Banco Central sobre remessas ao exterior, criptomoedas e tráfego em sites ilícitos, calcula que o mercado clandestino movimentou R$ 16,3 bilhões em 2025. Além das bets ilegais, plataformas de mercados de previsão como Kalshi e Polymarket seguem operando no país apesar de bloqueio determinado pelo Ministério da Fazenda no fim de abril — o IBJR notificou o governo sobre a continuidade dessas atividades em 29 de maio.

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Com informações de BNLData →

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