BiS Brasília 2026: painel debate limites da auto-exclusão e redes de apoio ao jogador
Especialistas reunidos no evento discutiram como tecnologia e atendimento humanizado podem ir além dos mecanismos tradicionais de jogo responsável num mercado em expansão.
Foto: Henri Mathieu-Saint-Laurent / Pexels
No encerramento do primeiro dia da BiS Sigma Brasília 2026, em 2 de junho, um painel dedicado ao jogo responsável reuniu representantes do setor privado, da academia e do poder público para discutir como construir uma rede integrada de atendimento e proteção ao apostador. O debate, intitulado Jogo Responsável e Inovação como Pilares da Construção de uma Rede Integrada de Atendimento Humanizado, contou com Fred Justo, diretor de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) da Legitimuz; Cristiano Costa, diretor de Conhecimento da EBAC; Gabriela Boska, coordenadora da Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde; além de Joberto Porto, CFO da CDA Gaming, e Fellipe Fraga, CBO da Stellar Gaming.
O que está em jogo
A urgência do tema fica evidente nos números. Pesquisas recentes da BBC apontam que 11 milhões de brasileiros estão em risco de desenvolver dependência de apostas. Outro dado preocupante vem de um estudo da Anbima: 52% dos apostadores classificados como de risco recorrem a novas apostas imediatamente após registrar perdas — prática conhecida como "perseguição das perdas", considerada um dos principais indicadores de comportamento compulsivo. Diante desse cenário, o painel colocou em xeque a suficiência dos mecanismos hoje disponíveis para proteger os usuários mais vulneráveis.
A questão central levantada pelos participantes foi justamente essa: a simples disponibilização da ferramenta de auto-exclusão é o bastante? Fred Justo sintetizou o espírito da discussão. "O debate girou em torno do que ainda falta para que os operadores desenvolvam políticas mais robustas e práticas mais saudáveis de jogo responsável. A questão levantada foi: será que simplesmente disponibilizar essa ferramenta é suficiente ou existem formas mais eficazes de acolher e apoiar jogadores que apresentam sinais de comportamento compulsivo?", afirmou o diretor da Legitimuz. Entre os caminhos debatidos estiveram a criação de redes de atendimento integradas, o uso de teleatendimento e triagem digital, e a importância do acolhimento humanizado para reduzir o estigma associado ao vício em jogos.
Tecnologia como aliada da proteção
O consenso do painel foi que inovação tecnológica e humanização não são objetivos concorrentes. Ferramentas de análise comportamental, verificação de identidade e monitoramento de padrões de jogo foram apontadas como recursos capazes de fornecer dados para que operadores identifiquem sinais precoces de vulnerabilidade e ajam de forma preventiva. O debate também evidenciou que enfrentar os desafios do jogo problemático exige uma atuação conjunta entre operadoras, órgãos de saúde pública, especialistas em saúde mental e empresas de tecnologia — um alinhamento que ainda está em construção no mercado brasileiro de apostas, regulamentado a partir de 2025 pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



