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Mercado & Negócios

ANJL rebate estudo e diz que bets não são culpadas pelos problemas do varejo

Em artigo publicado no Estadão, presidente da associação contesta estimativa de R$ 50 bilhões em perdas atribuídas às apostas e aponta digitalização do consumo como fator central.

ANJL rebate estudo e diz que bets não são culpadas pelos problemas do varejo

Imagem ilustrativa gerada por IA

O presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plinio Lemos Jorge, entrou no debate sobre o impacto das apostas esportivas no varejo brasileiro com um artigo de opinião publicado no jornal Estadão. O texto contesta as conclusões de um estudo da Strategy & Brasil, encomendado pelo instituto Think Tank Retail, que apontou uma possível saída de até R$ 50 bilhões anuais do comércio em razão das apostas online. Para Jorge, essa estimativa parte de um erro metodológico: comparar o volume total movimentado nas plataformas de apostas com o lucro efetivo das empresas do setor, tratando toda a circulação financeira como dinheiro permanentemente subtraído da economia.

Gasto médio por apostador é bem menor, diz setor

Para contrapor a estimativa bilionária, o presidente da ANJL recorre a um levantamento da LCA Consultoria, baseado em dados públicos, que calculou um gasto líquido médio de R$ 122 por apostador ao mês. Jorge reconhece que o número não elimina a necessidade de políticas voltadas ao jogo responsável, mas sustenta que ele oferece uma visão mais realista do peso das apostas no orçamento das famílias. Em sua análise, as bets representam menos de 1% do consumo doméstico e, portanto, não teriam capacidade de explicar as dificuldades enfrentadas pelo varejo tradicional. "O varejo vem perdendo espaço para os mercados digitais. Culpar o setor regulado de quota fixa é fechar os olhos para os desafios que o varejo enfrenta", escreveu o executivo.

Comércio digital avança enquanto varejo físico patina

O artigo apresenta dados que, segundo Jorge, revelam uma mudança estrutural no comportamento de consumo dos brasileiros. Citando informações da GetNet, o texto indica que o varejo tradicional cresceu menos de 2% em 2025, enquanto as vendas online avançaram em dois dígitos no mesmo período. Segmentos como vestuário registraram alta de 39% no ambiente digital, e cosméticos subiram 20%. O autor também menciona dados do Mercado Livre, que teria registrado 95 vendas por segundo em seu relatório do quarto trimestre de 2025. Para Jorge, esses números demonstram que a perda de fôlego do varejo físico está ligada à migração dos consumidores para plataformas digitais e aplicativos de compras — um processo em curso há anos, independentemente da existência das apostas online.

Estatísticas oficiais e endividamento também entram no debate

Outro ponto levantado no artigo é a defasagem dos indicadores econômicos tradicionais para capturar esse novo cenário. Jorge cita a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como um instrumento concebido para monitorar principalmente o varejo físico, o que deixaria parte relevante da economia digital fora das medições oficiais. "Estamos medindo uma economia nova com as réguas antigas", afirmou. O presidente da ANJL também aborda o endividamento das famílias, atribuindo-o não às apostas, mas ao uso intensivo do crédito parcelado combinado com os altos juros do crédito rotativo. "As bets não são a origem da dívida das famílias. O brasileiro apenas mudou o jeito de comprar e vive amarrado ao crédito", concluiu Jorge, defendendo que a digitalização do consumo e a dependência do crédito são os fatores centrais por trás dos desafios enfrentados pelo setor varejista.

Fonte original
Com informações de iGaming Brazil →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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