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Jogo Responsável

Anbima: maioria dos apostadores não tem sinais de risco e solução é educação financeira

Pesquisa qualitativa conduzida com 60 apostadores em todo o Brasil traça quatro perfis de uso e conclui que entretenimento, não vício, é a motivação predominante — sem recomendar proibições ou novas restrições às plataformas.

Anbima: maioria dos apostadores não tem sinais de risco e solução é educação financeira

Imagem ilustrativa gerada por IA

A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) publicou nesta semana o estudo "Aposta Online no Brasil: perfis de uso, jornadas e padrões de comportamento", elaborado em parceria com a consultoria Kyvo. O levantamento qualitativo foi baseado em entrevistas em profundidade com 60 apostadores e ex-apostadores distribuídos pelas cinco regiões do país. A iniciativa surgiu depois que um número crescente de brasileiros passou a declarar, nas pesquisas habituais da Anbima sobre hábitos de investimento, que "investe" em bets — sinal de que a fronteira conceitual entre aposta e investimento vinha se embaralhando para parte da população.

Quatro perfis, riscos concentrados em grupos específicos

A pesquisa identificou quatro perfis de apostadores: "Adepto da Fortuna", "Matador de Leões", "Expert da Realidade" e "Caçador de Emoções". Os dois primeiros são compostos majoritariamente por mulheres das classes C, D e E — o primeiro reúne quem aposta esperando enriquecer rapidamente; o segundo concentra mulheres em dificuldade financeira que recorrem às apostas para cobrir despesas básicas, como água, luz e aluguel. Já os perfis "Expert da Realidade" e "Caçador de Emoções" são formados predominantemente por homens jovens das classes A e B: no primeiro estão os que estudam estratégias e comparam bets ao mercado financeiro; no segundo, os que chegaram às apostas por influência do círculo social e tratam a atividade como hobby contra o tédio.

Maioria sem sinais de alerta; entretenimento avança como motivação

Cruzando os achados qualitativos com dados da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro (2026), o estudo registra que 7% dos brasileiros apostam raramente e apenas 1% o faz diariamente. Entre os apostadores, o grupo classificado com alto nível de propensão ao vício representa 11% do total — o que significa que cerca de nove em cada dez apostadores não se enquadram nesse critério de risco. O próprio relatório reconhece textualmente que "a maior parte dos apostadores não apresenta sinais alarmantes", antes de destacar o contingente vulnerável concentrado em perfis específicos. Outro dado relevante é o crescimento da dimensão recreativa: 32% dos apostadores já encaram a prática como forma de diversão, proporção que se aproxima dos 39% que apostam em busca de ganhos rápidos. O perfil "Caçador de Emoções" ilustra esse comportamento — apostadores com estabilidade financeira, valores separados do orçamento essencial e limites relativamente estáveis ao longo do tempo, características que o próprio estudo aproxima de um consumo de entretenimento saudável.

Distinção entre modalidades e recomendação final: educar, não proibir

O relatório também diferencia apostas esportivas — associadas a eventos com começo e fim definidos, uso mais pontual e análise de desempenho — dos jogos contínuos, como cassino online e o popular "tigrinho", cujo fluxo imediato e repetitivo tende a favorecer maior permanência nas plataformas. Essa distinção técnica reforça o argumento de que políticas de jogo responsável precisam ser calibradas por modalidade, e não tratadas de forma homogênea. Ao concluir o estudo, a Anbima não propõe proibição, banimento de publicidade adicional nem novas barreiras regulatórias: a recomendação central é o fortalecimento de programas de educação financeira, capazes de ajudar a população a distinguir risco, probabilidade e a diferença entre apostar e investir. O documento ainda descreve que apostadores que reduzem ou abandonam a prática adotam mecanismos concretos de autorregulação — definição de limites de gasto, remoção de aplicativos e bloqueio de contas —, ferramentas que espelham os controles já exigidos das plataformas licenciadas pela Lei 14.790/2023, a chamada Lei das Bets. Vale destacar, porém, que se trata de pesquisa qualitativa com 60 entrevistados, sem representatividade estatística do conjunto da população apostadora — limitação explicitamente reconhecida pela própria Anbima na seção de metodologia, o que recomenda cautela na extrapolação de qualquer dado isolado do estudo.

Análise BetNotícias
Perfis de apostadores identificados no estudo Anbima/Kyvo
PerfilComposição predominanteMotivação principalCaracterísticas
Adepto da FortunaMulheres, classes C, D, EEnriquecimento rápidoExpectativa de ganho financeiro imediato
Matador de LeõesMulheres, classes C, D, EPagar contas essenciaisMaior vulnerabilidade financeira; apostas para água, luz, aluguel
Expert da RealidadeHomens jovens, classes A, BAlternativa ao mercado financeiroEstudam jogos, desenvolvem estratégias
Caçador de EmoçõesHomens jovens, classes A, BDiversão e lazerEstabilidade financeira; limites estáveis; entretenimento recreativo

O que isso muda na regulação

  • Segundo o estudo, 89% dos apostadores não apresentam alto nível de propensão ao vício, e 32% já encaram a prática como forma de diversão — desafiando a narrativa de 'epidemia de descontrole' e subsidiando argumentos do setor contra novas restrições regulatórias.
  • A Anbima recomenda educação financeira como resposta central ao fenômeno das apostas, não banimento ou novas barreiras, e reconhece que apostas esportivas e jogos contínuos (cassino, tigrinho) demandam regulação diferenciada.
  • O estudo registra que apostadores que reduzem ou interrompem o uso adotam estratégias de autorregulação concretas — limites de gasto, bloqueio de contas, restrição de meios de pagamento — demonstrando que os usuários exercem agência sobre o próprio comportamento.

Entenda os termos

Lei 14.790/2023
Norma que regulariza o mercado de apostas online no Brasil e estabelece obrigações para plataformas licenciadas, incluindo mecanismos de controle como limites de depósito e autoexclusão.
Autoexclusão
Mecanismo que permite ao apostador bloquear sua própria conta por determinado período, impedindo acesso à plataforma.
Pesquisa qualitativa
Estudo baseado em entrevistas e análise de significados, não em dados estatísticos representativos; busca compreender lógicas e motivações, não medir frequências generalizáveis.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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