Santos promove palestra sobre manipulação de resultados para atletas da base
Iniciativa do clube paulista reuniu jogadores de três equipes e foi conduzida pelo Compliance Officer David Figueiredo, que alertou sobre riscos penais e danos à carreira.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Santos FC realizou, na última semana, na Vila Belmiro, uma palestra voltada à prevenção da manipulação de apostas esportivas e de resultados. O evento reuniu atletas das categorias de base do Santos FC, do Jabaquara AC e da Portuguesa Santista, e foi conduzido por David Figueiredo, Compliance Officer do clube.
Na ocasião, Figueiredo destacou o objetivo central da iniciativa: preparar os jovens atletas para reconhecer e saber como agir diante de eventuais abordagens. "É uma palestra que dá a possibilidade do atleta entender, se for abordado, sabendo o que fazer e como agir", afirmou. O Compliance Officer também abordou o impacto da manipulação sobre a essência do esporte: "A partir do momento que você manipula uma partida, você tira a imprevisibilidade do jogo. E o que traz a emoção e a paixão do futebol é a imprevisibilidade. Quando o atleta faz parte desse contexto de manipulação, ele prejudica tudo isso e o futebol acaba sendo uma vítima."
Além dos danos ao esporte, Figueiredo chamou atenção para as consequências jurídicas e pessoais que recaem sobre quem se envolve nesse tipo de esquema. "Ele tem riscos na esfera penal. O jogador pode ser preso, e isso destrói o sonho dele e o transforma em um pesadelo. Esse sonho não é só dele, mas de todos os familiares em volta. A partir do momento que ele cai em uma situação dessa, ele coloca tudo em risco", concluiu.
A preocupação com a integridade do esporte ganhou relevância ainda maior no Brasil com a regulamentação do mercado de apostas esportivas, que entrou em vigor em janeiro de 2025. A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, é o órgão responsável por fiscalizar o setor e estabelecer regras de conformidade, incluindo exigências relacionadas ao combate à manipulação de resultados. Nesse contexto, clubes como o Santos passaram a incorporar ações educativas e de compliance esportivo como parte de sua governança interna, especialmente junto a atletas em formação, que são considerados público mais vulnerável a abordagens ilícitas.
A iniciativa santista reflete uma tendência crescente no futebol brasileiro de aproximar as categorias de base das discussões sobre integridade esportiva, tema que envolve tanto as federações quanto os próprios clubes na responsabilidade de formar atletas conscientes dos riscos associados ao ambiente das apostas.
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