Operação Infiltrados: PF apura desvio de R$ 45 mi da Caixa com apoio de loteiros ilegais
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (22) uma operação contra organização criminosa suspeita de fraudar correntistas e beneficiários da Caixa Econômica Federal, com possível envolvimento de exploradores de loterias clandestinas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Polícia Federal lançou nesta terça-feira (22) a Operação Infiltrados, voltada a desarticular uma organização criminosa acusada de desviar aproximadamente R$ 45 milhões de clientes e beneficiários da Caixa Econômica Federal. As investigações apontam que o esquema se sustentava em fraudes eletrônicas combinadas ao acesso indevido a dados sigilosos do banco. Ao todo, cerca de 120 agentes federais foram mobilizados para cumprir 25 mandados de busca e apreensão distribuídos por sete municípios.
As diligências abrangem cinco cidades no Estado do Rio de Janeiro — Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e Cabo Frio — e dois municípios paulistas: Indaiatuba e Salto. A PF conta com o suporte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público Federal. Entre os suspeitos, há servidores públicos apontados como responsáveis por vazar informações privilegiadas e dificultar investigações em andamento. As apurações também indicam que integrantes da organização teriam conexões com a exploração de loterias ilegais. Os investigados podem responder por organização criminosa, obstrução de justiça e violação de sigilo funcional, além de outros crimes que possam surgir no decorrer das apurações.
Procurada pela imprensa, a Caixa Econômica Federal confirmou colaboração ativa com a PF e demais órgãos competentes. "Tais informações são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente à Polícia Federal e demais órgãos competentes, para análise e investigação", afirmou o banco em nota. A instituição acrescentou que realiza monitoramento contínuo de produtos e transações para detectar movimentações suspeitas, e destacou contar com "estratégia, políticas e procedimentos de segurança para a proteção dos dados e operações de seus clientes", além de tecnologias e equipes especializadas.
O envolvimento de pessoas ligadas a loterias ilegais chama atenção num momento em que o governo federal avança na regulamentação do setor de apostas no Brasil. Desde o início de 2025, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda passou a fiscalizar o mercado de bets e loterias autorizadas, justamente para coibir a operação clandestina de jogos e os riscos associados ao crime organizado. A conexão apontada pela PF entre fraudes bancárias e o universo das loterias ilegais reforça o alerta das autoridades sobre a permeabilidade desse tipo de atividade a esquemas criminosos mais amplos.
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