Kambi usa IA em mais de 60% das operações e mira Copa do Mundo 2026
Fornecedora global de tecnologia para apostas esportivas vê o torneio como oportunidade estratégica na América Latina, especialmente no Brasil regulado.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Copa do Mundo de 2026 está no radar da Kambi, fornecedora global de soluções tecnológicas para apostas esportivas, como um evento capaz de redefinir o setor na América Latina. O torneio, disputado em três países — Estados Unidos, Canadá e México —, reunirá 48 seleções em 104 partidas e será a primeira edição do Mundial realizada após a consolidação do mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil. Para a empresa, esse contexto cria uma janela estratégica relevante para ampliar sua presença na região.
Um dos principais pilares da estratégia da Kambi para o período é o uso intensivo de inteligência artificial. Atualmente, mais de 60% das operações da companhia já contam com participação direta de sistemas baseados em IA, e a expectativa é que esse percentual cresça durante a Copa. A tecnologia é utilizada para precificação dinâmica de odds, com análise em tempo real de variáveis como desempenho de equipes, estatísticas individuais, condições climáticas, histórico de confrontos, lesões e movimentações de mercado. Além da eficiência operacional, a IA também contribui para a identificação de comportamentos atípicos, auxiliando na proteção da integridade esportiva e na prevenção de fraudes.
Para Mateo Lenoble, Diretor de Vendas para a América Latina da Kambi, o apostador brasileiro apresenta uma demanda crescente por personalização. Segundo o executivo, funcionalidades antes vistas como inovadoras — como cash out e pagamento antecipado — já deram lugar a ferramentas mais sofisticadas, como os Bet Builders, que permitem ao usuário combinar diferentes mercados dentro de uma mesma partida. A empresa também destaca que, embora o futebol responda por cerca de 90% do volume de apostas na região, cada mercado tem suas particularidades: enquanto o futebol domina no Brasil, México e Colômbia, esportes norte-americanos têm peso significativo na América Central e no Caribe.
No campo da competitividade, a Kambi informa que empresas como Superbet, Stake e KTO utilizam suas soluções, e que mais de 50% das apostas realizadas na América Latina passam por tecnologias desenvolvidas pela companhia. A flexibilidade operacional é apontada como outro diferencial relevante: muitos operadores ainda dependem de plataformas que limitam sua capacidade de ajustar odds e margens de forma dinâmica, o que pode comprometer a rentabilidade em períodos de alto volume, como durante um Mundial.
O mercado brasileiro, apesar do crescimento acelerado desde a regulamentação em 2025 — quando a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda passou a supervisionar as operadoras licenciadas —, ainda opera com margens médias entre 6% e 7%, abaixo dos cerca de 13% registrados em outros países latino-americanos. Para a Kambi, esse gap indica que o setor doméstico ainda está em fase inicial de maturação, com espaço considerável para evolução tecnológica e comercial. A Copa de 2026, nesse cenário, poderá funcionar como catalisador tanto para a adoção de novas ferramentas quanto para o amadurecimento das estratégias dos operadores que atuam no país.
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