iGaming no Brasil em 2026: especialistas apontam localização e compliance como pilares do setor
Daniel Kevan, Ivo Doroteia e Maximiliano Ramos analisam como adaptação cultural, conformidade regulatória e combate ao mercado ilegal definem o próximo ciclo do iGaming brasileiro.
Foto: Hanna Pad / Pexels
O mercado brasileiro de iGaming deixou a fase de expectativa para trás e ingressou em um estágio de consolidação, no qual regulamentação e inovação passam a caminhar juntas. Nesse cenário, três profissionais do setor — Daniel Kevan, Ivo Doroteia e Maximiliano Ramos — oferecem perspectivas complementares sobre o que deve moldar o crescimento do setor nos próximos 6 a 12 meses. O ponto em comum entre as análises: modelos padronizados perdem terreno para estratégias que respeitam as particularidades do público brasileiro.
Localização que vai além da tradução
Para Daniel Kevan, a verdadeira localização exige análise de dados aprofundada, e não apenas adaptações de superfície. "Nossa abordagem de localização vai muito além da língua. Analisamos preferências dos jogadores, padrões de sessão e desempenho de conteúdo para identificar quais mecânicas e temas realmente conversam com o mercado. Isso moldou nosso roadmap de maneira decisiva, superando com folga qualquer estratégia padrão", afirmou. Kevan também ressalta que atuar somente em mercados regulamentados é parte central da metodologia da empresa, influenciando desde o design das integrações até o tratamento de relatórios de dados. Ivo Doroteia reforça o argumento, destacando que sua operação foi estruturada desde o início com o Brasil como prioridade — o que incluiu adequar não apenas produtos, mas também meios de pagamento, suporte ao cliente e comunicação. Ele aponta que o setor ainda tem espaço para evoluir em onboarding, prevenção a fraudes e no uso mais inteligente de dados aplicados ao jogo responsável.
Regulamentação como fator de confiança pública
Maximiliano Ramos destaca uma consequência direta da regulação brasileira que muitas vezes passa despercebida: a mudança na percepção do consumidor. "A regulamentação foi decisiva para alterar a percepção do público, que hoje se sente mais seguro ao saber que está participando de uma atividade legalizada. Esse avanço é crucial para nossa estratégia", disse. Ramos também chama atenção para os riscos representados por plataformas sem licença, que, segundo ele, distorcem o mercado e prejudicam a reputação do segmento como um todo. O combate ao mercado ilegal, portanto, não é visto apenas como obrigação regulatória, mas como condição para a credibilidade do ecossistema licenciado. Esse debate ganha relevância no contexto brasileiro: a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, é o órgão responsável pela regulação do setor e tem conduzido o processo de concessão de licenças às operadoras que atuam legalmente no país.
Da aquisição à retenção: o próximo capítulo
Os três especialistas convergem ao identificar uma transição em curso no mercado: a fase de aquisição acelerada de novos jogadores começa a ceder espaço para estratégias focadas em retenção e maximização do valor de longo prazo das bases existentes. Kevan aponta o cross-sell entre apostas esportivas e produtos de cassino online como uma das frentes mais promissoras. "A fase inicial, dominada pela aquisição de novos clientes, está começando a se estabilizar. Agora, o foco se volta para extrair maior valor de longo prazo das bases já existentes", observou. Doroteia acrescenta que avanços regulatórios em marketing e patrocínios, além da expansão de sistemas de pagamento — com destaque para o Pix e o crescimento das criptomoedas — devem pautar os próximos meses. Ramos, por sua vez, frisa que o crescimento sustentável depende de um equilíbrio entre expansão comercial e proteção ao consumidor: "A percepção pública está evoluindo; mais pessoas reconhecem as apostas como entretenimento legítimo. Mas essa evolução depende da confiança no ecossistema licenciado." Os especialistas também observam que o modelo regulatório adotado pelo Brasil tem potencial para servir de referência para outros países da América Latina, que ainda aguardam a estruturação de seus próprios marcos legais para o setor de iGaming.
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