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Loterias

Como uma lotérica de Fortaleza se tornou líder nacional em vendas de bolões

A Loteria Aldeota faturou R$ 57 milhões em 2025, acumula 78 títulos nacionais e já distribuiu mais de R$ 155 milhões em prêmios ao longo de sua história.

Foto: Jack Sparrow / Pexels

No domingo de 1º de junho, o concurso especial de 30 anos da Mega-Sena distribuiu R$ 336 milhões entre os ganhadores. Entre os bilhetes contemplados estava um bolão vendido pela Loteria Aldeota, de Fortaleza. Os 100 cotistas que integravam a aposta dividiram parte do prêmio — e Alessandro Montenegro, dono do estabelecimento, também estava entre eles, já que havia comprado uma cota do próprio bolão que comercializou. Os apostadores não se conheciam e vinham de Fortaleza, do interior do Ceará e de pelo menos seis estados brasileiros, segundo informações da Exame.

De escavadeira ao balcão

A Aldeota existe desde 2005, mas por quase 15 anos funcionou como um negócio familiar que não se sustentava sozinho. Até 2019, Montenegro dividia o tempo entre a lotérica e a operação de um parque de máquinas pesadas — 15 equipamentos, entre tratores, escavadeiras e caçambas, usados em obras de estrada pelo país. A virada veio de um contrato para construir 14 quilômetros de estrada no sul do Pará, perto da Transamazônica. Chuvas intensas interromperam a obra após apenas dois quilômetros concluídos. Montenegro voltou a Fortaleza, os equipamentos ficaram parados e a única saída foi apostar tudo na pequena lotérica com três terminais num bairro nobre da capital cearense.

O bolão que transformou o negócio

Em fevereiro de 2020, um prêmio acumulado de R$ 200 milhões na Mega-Sena foi o gatilho da mudança. A Aldeota vendeu um bolão que acertou todas as dezenas, gerando 35 milionários — cada cotista recebeu cerca de R$ 3 milhões. Sete desses ganhadores haviam comprado suas cotas pelo celular e deixado os bilhetes guardados na lotérica, o que significava quase R$ 22 milhões em prêmios de terceiros sob a guarda de Montenegro. Os clientes compareceram, receberam os valores e deixaram presentes que somaram R$ 800 mil. O empresário reinvestiu tudo: comprou notebooks, motocicletas e telefones, contratou funcionários e adquiriu a loja vizinha no shopping para ampliar o espaço. Semanas depois, a pandemia fechou o comércio físico — e acabou acelerando a digitalização do negócio.

Modelo digital e expansão nacional

Com as restrições sanitárias, a Aldeota estruturou um sistema de vendas remotas separado do atendimento presencial. Bolões passaram a ser entregues em domicílio por motoboys ou armazenados no cofre com nome e CPF do cliente no verso do bilhete, tornando o documento intransferível. "Hoje, 90% da minha empresa eu vendo aqui no celular", afirmou Montenegro. A operação, que começou em 2019 com duas pessoas, chegou a cerca de 100 funcionários até 2025. Mais de 60% da carteira de clientes está fora do Ceará — incluindo apostadores em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, interior do Maranhão e até residentes em Dubai e Nova York. O ticket médio mensal é de R$ 350 por cliente, superando R$ 600 na época da Mega da Virada.

Líder em bolões e referência no setor

A estratégia da Aldeota se diferencia das lotéricas convencionais pelo tamanho das apostas: enquanto a maioria monta bolões de seis ou sete dezenas, o estabelecimento trabalha com nove a vinte dezenas na Mega-Sena — o limite máximo permitido pela Caixa, o que multiplica as combinações e as chances de acerto. O resultado é uma liderança no ranking nacional de vendas de bolões há mais de seis anos consecutivos, com 78 títulos acumulados. A lotérica já distribuiu mais de R$ 155 milhões em prêmios e faturou R$ 57 milhões em 2025. A Caixa convida Montenegro para eventos do setor, e outras lotéricas visitam o estabelecimento para estudar o modelo. "Quanto mais pessoas fizerem o que eu faço, melhor para as loterias Caixa", declarou o empresário, que defende a replicação da operação como forma de atrair novos apostadores para o sistema lotérico num cenário em que as casas de apostas esportivas online e a digitalização dos pagamentos têm reduzido o fluxo de clientes nos balcões físicos.

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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