CEO da Ana Gaming Brasil defende jogo responsável como vantagem competitiva
Marco Tulio Oliveira, à frente das marcas 7K, Cassino e Vera, argumenta que proteger o consumidor vai além do cumprimento legal e deve nortear toda a operação de uma casa de apostas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Para Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming Brasil — empresa que opera as marcas 7K, Cassino e Vera —, o jogo responsável deixou de ser apenas uma exigência a ser cumprida pelas operadoras licenciadas no Brasil. Em artigo de opinião, o executivo defende que a proteção ao consumidor precisa ser incorporada à cultura interna das empresas e orientar decisões em áreas como marketing, comunicação, desenvolvimento de produtos e relacionamento com clientes. Na sua avaliação, esse posicionamento se traduz, na prática, em diferencial competitivo num mercado cada vez mais disputado.
Oliveira aponta que a regulamentação do setor abriu uma nova fase para a indústria nacional. Após o primeiro ciclo de adaptação às normas — processo coordenado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda e que culminou na concessão das primeiras licenças em 2025 —, o desafio das operadoras passou a ser outro: transformar o cumprimento das regras em prática cotidiana genuína. "A aposta deve permanecer no campo do entretenimento", escreveu o CEO, ressaltando que a atividade precisa ser compatível com o orçamento de lazer do usuário, sem alimentar a expectativa de recuperar perdas ou complementar renda.
Para embasar o argumento, Oliveira cita uma pesquisa da Anbima realizada em parceria com a Kyvo, que indica como a relação de cada pessoa com as apostas varia conforme sua situação financeira — e que é justamente em momentos de maior pressão orçamentária que o risco de uso problemático aumenta. O executivo também destaca dados do Ministério da Fazenda: até agosto de 2026, 1,2 milhão de pessoas já haviam solicitado autoexclusão voluntária pela Plataforma Centralizada de Autoexclusão, enquanto cerca de 5 milhões de brasileiros deixaram de acessar plataformas credenciadas, somando autoexclusões e bloqueios externos. Para Oliveira, esses números evidenciam que o tema tem adesão concreta, não apenas retórica.
Na visão do CEO, ferramentas como limites de depósito, controle de tempo de sessão, alertas de comportamento e opções de autoexclusão são parte essencial desse compromisso, pois colocam na mão do próprio usuário os recursos para monitorar e, se necessário, interromper o uso da plataforma. Mais do que recursos técnicos, porém, Oliveira defende que a coerência entre discurso e prática é o que transforma a proteção ao consumidor em cultura organizacional. "O futuro da indústria brasileira de apostas será definido menos pelo volume de apostas e mais pela capacidade de oferecer uma experiência responsável", concluiu o executivo, sinalizando que, no mercado regulado, a confiança do consumidor passou a ser um ativo estratégico de longo prazo.
| Métrica | Valor | Período |
|---|---|---|
| Solicitações de autoexclusão voluntária | 1,2 milhão | até agosto de 2026 |
| Brasileiros que deixaram de acessar plataformas credenciadas | ~5 milhões | até agosto de 2026 |
O que muda para as operadoras
- O CEO posiciona jogo responsável não como custo regulatório, mas como diferencial competitivo que constrói confiança e viabiliza crescimento sustentável das operadoras.
- Operadoras que integram proteção do consumidor em marketing, produtos e relacionamento reforçam credibilidade no mercado maduro que agora se desenha no Brasil.
Entenda os termos
- Autoexclusão
- Ferramenta que permite ao apostador bloquear voluntariamente sua própria conta de forma temporária ou permanente, impedindo acesso à plataforma.
- Plataforma Centralizada de Autoexclusão
- Sistema único que agrupa solicitações de autoexclusão de usuários em plataformas de apostas credenciadas, facilitando o controle centralizado.
- Jogo responsável
- Conjunto de práticas, ferramentas e políticas que buscam permitir que o apostador exerça controle sobre sua atividade e minimize riscos de problemas relacionados às apostas.
- Credenciamento
- Processo de autorização e registro de operadoras de apostas pelo órgão regulador para atuar legalmente no mercado brasileiro.
A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



