Betano defende publicidade de apostas e avalia regulação brasileira como referência global
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o diretor de relações institucionais da empresa no Brasil elogiou a abordagem do governo federal e defendeu o papel econômico do setor no esporte nacional.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Guilherme Figueiredo, diretor de relações institucionais da Betano no Brasil, saiu em defesa da manutenção da publicidade de apostas esportivas no país e fez uma avaliação positiva da regulação conduzida pelo governo federal. Em entrevista ao Painel S.A., da Folha de S.Paulo, ele argumentou que a estratégia adotada pelo governo Lula — com foco no bloqueio de operadoras ilegais e na educação do consumidor — foi mais acertada do que uma eventual proibição do setor. A Betano detém cerca de um quarto do mercado de apostas regulado no Brasil.
Polêmica da CazéTV e regulação da publicidade
Sobre o episódio envolvendo a CazéTV durante a Copa do Mundo, Figueiredo reconheceu que o incentivo de odds exibido durante as partidas gerou repercussão negativa, mas frisou que nenhuma das três empresas envolvidas agiu ilegalmente. "Como o incentivo de odds durante as partidas foi feito num momento de muita exposição, acabou virando algo negativo", disse. Segundo ele, a emissora corrigiu o posicionamento em três dias, mantendo a presença das marcas com foco em jogo responsável. Em relação às medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, para regulamentar as mensagens publicitárias do setor, o executivo afirmou que a Betano está disposta a se adequar. "O que a gente sempre defende é que a mensagem precisa ser regrada. Se tem que ter um aviso de que a aposta pode gerar perda financeira e vício, a gente vai obedecer e vai colocar", declarou.
Pressão no Congresso e debate sobre proibição
Figueiredo admitiu que propostas em tramitação no Congresso Nacional que ameaçam restringir ou extinguir as apostas preocupam o setor, mas considerou a proibição inviável politicamente. "Quando você deixa ali protocolado um negócio que pode acabar com o setor, é óbvio que nos preocupa. Mas acho que hoje o parlamento e especialmente o governo entenderam que proibir as casas de apostas seria pior", afirmou. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) sustentou posição contrária em declaração à Folha, afirmando que as bets têm "destruído famílias" e são responsáveis "pelo vício e pela manipulação" das pessoas. O diretor da Betano rebateu com o argumento da autonomia individual e ressaltou o peso econômico do setor, atribuindo ao investimento das casas de apostas no futebol os sete anos consecutivos de títulos da Libertadores conquistados por clubes brasileiros. "A gente investe no futebol porque quer que o esporte brasileiro seja melhor", disse, citando ainda a repatriação de atletas como Neymar, Lucas Paquetá e Vitor Roque.
Impacto fiscal, esporte paralímpico e inovação tecnológica
O executivo também destacou a contribuição tributária do setor ao esporte paralímpico: segundo ele, a arrecadação gerada pelas casas de apostas em 2024 destinou mais de R$ 50 milhões à área, montante superior ao patrocínio da Caixa ao segmento. Parte desses recursos chega ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que os utiliza para custear transporte e atividades esportivas para crianças com deficiência. Figueiredo também elogiou o modelo regulatório brasileiro pelo uso do reconhecimento facial vinculado ao CPF, que permite verificar maioridade e identificar beneficiários de programas sociais como o Desenrola ou apostadores com restrições cadastradas. Antes da regulação, as operadoras eram obrigadas a manter os recursos financeiros fora do país — situação que ele descreveu como "uma loucura completa". Para o futuro, o diretor projetou consolidação do mercado com fusões e fechamentos, esperança de retomada de patrocinadores no futebol a partir de 2027 e anunciou a recente aquisição, pela Betano, de uma plataforma internacional de inteligência artificial, ainda em fase de implementação em mercados menores antes de chegar ao Brasil.
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