74% das apostas no Brasil no 2º tri foram de até R$ 50, aponta estudo da Paag
Levantamento analisou o histórico de 26 casas autorizadas e revelou que microtransações sustentam o volume de operações do mercado nacional, enquanto apostas acima de R$ 1.000 concentram 20% do dinheiro movimentado.
Imagem ilustrativa gerada por IA
As apostas de valor mais baixo são a espinha dorsal do mercado brasileiro de iGaming. Segundo um estudo conduzido pela Paag, empresa especializada em inteligência de dados para o setor regulamentado, os palpites de até R$ 50 responderam por 74% de todas as transações registradas no país durante o segundo trimestre deste ano. Em termos financeiros, porém, essas apostas representaram apenas 23% do montante total movimentado — uma assimetria que revela a estrutura dual do setor.
O levantamento detalhou como esse universo se subdivide: bilhetes de até R$ 20 lideram em popularidade, com 45% do volume de operações, mas concentram somente 8% do dinheiro circulante. A faixa seguinte, de R$ 20 a R$ 50, somou 29% das transações e 15% dos valores totais. No extremo oposto, apostas superiores a R$ 1.000 representam menos de 1% das operações, mas são responsáveis por movimentar 20% dos recursos financeiros nas plataformas. Para chegar a essas conclusões, a equipe técnica da Paag analisou o histórico completo de 26 casas de apostas autorizadas pelo governo federal, cobrindo uma fatia de 30% das operações legais do país.
Comportamento dos apostadores: horários, regiões e perfil etário
O estudo também traçou um mapa detalhado dos hábitos dos usuários. O período noturno concentra o maior fluxo de atividade: 39% das apostas são feitas entre 18h e 23h. Do ponto de vista demográfico, a faixa etária de 25 a 49 anos domina o mercado, sendo responsável por 80% do volume financeiro total. Quanto à sazonalidade mensal, os dias 8 a 20 concentram a maior atividade, com pico nos dias 16 a 22. O dia 20 foi o de maior participação tanto em volume quanto em valor ao longo do trimestre, enquanto o fim do mês registrou queda progressiva nas movimentações.
Na distribuição geográfica, São Paulo mantém a liderança absoluta em volume e valor. As regiões Sul e Centro-Oeste se destacam pelos maiores tickets médios, enquanto Norte e Nordeste seguem ampliando sua base de usuários, contribuindo para a expansão do mercado regulado. Para João Fraga, CEO da Paag, os números reforçam uma característica estrutural do setor. "Os dados consolidam a previsibilidade do mercado do ponto de vista operacional, com padrões claros, com predominância das microtransações", afirmou o executivo.
O contexto do estudo é relevante: o mercado de apostas esportivas no Brasil opera sob regulamentação formal desde o início de 2025, quando a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda passou a conceder licenças e supervisionar as operadoras. O ambiente regulado impõe exigências de conformidade, rastreabilidade de transações e proteção ao consumidor — cenário que favorece análises como a da Paag e tende a tornar os padrões de comportamento dos apostadores cada vez mais mensuráveis.
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